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Correio da Manhã

Cultura
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Arranque a pé coxinho

As dificuldades orçamentais para levar a cabo Faro Capital Nacional da Cultura (FCNC) 2005 marcam o evento que arranca hoje, pelas 12h00, com o lançamento de centenas de balões pelos alunos da Escola EB 2,3 Santo António.
30 de Abril de 2005 às 00:00
A Orquestra do Algarve realiza hoje, no Auditório de Gambelas, o concerto inaugural do evento
A Orquestra do Algarve realiza hoje, no Auditório de Gambelas, o concerto inaugural do evento FOTO: Carlos Almeida
Dos 5,2 milhões de euros orçamentados, apenas 3,2 milhões estão garantidos pelo Estado. A verba destina-se a suportar os custos de programação, cuja preparação foi progressivamente retalhada face a ajustes orçamentais que marcaram o evento desde o início. Os 740 mil euros previstos em Janeiro para cada área, ficaram reduzidos a apenas 464 mil, verba que pôs em causa o nível de qualidade que os programadores pretendiam imprimir ao evento.
“Todos os programadores tinham ideias muito mais ambiciosas”, referiu ontem o comissário António Rosa Mendes, na apresentação da programação, acrescentando que esta “nunca estará definitivamente encerrada porque ainda poderão chegar mais verbas”. Rosa Mendes revelou ainda que, na quinta-feira, foram entregues candidaturas ao Programa Operacional da Cultura, com vista à angariação de um reforço de verbas, mas sem qualquer garantia de aprovação.
Rosa Mendes, que se diz expectante em relação ao evento que hoje tem início, só há poucos dias viu serem-lhe conferidas novas competências, o que lhe permitirá “mitigar alguns constrangimentos administrativos, nomeadamente autorizar despesas e outorgar contratos até determinado montante, imprimindo maior eficácia à acção desta estrutura de missão”.
Uma das principais falhas apontadas à organização de FCNC por parte de alguns agentes culturais da região relaciona-se com a inexistência de informação sobre o calendário geral de eventos, impedindo assim de atingir os variados públicos a que a programação se destina.
Os sucessivos atrasos no arranque do evento e o desconhecimento da programação, levaram mesmo as direcções da Fundação Pedro Ruivo e do Conservatório Regional do Algarve, que alberga uma das poucas salas disponíveis na cidade farense, a mostrar a sua indisponibilidade para colaborar na iniciativa.
TEATRO SÓ ABRE EM JULHO
Para além da realização do evento, também o Teatro Municipal de Faro, principal sala a acolher as iniciativas da Capital Nacional da Cultura 2005, foi alvo de forte polémica, criada em torno de sucessivos solavancos orçamentais. O projecto, lançado pelo executivo socialista, viria, no entanto, a ter luz verde já na gestão de José Vitorino, devendo as obras interiores do edifício ficar concluídas no próximo dia 15 de Maio. Quanto à inauguração, está marcada para 1 de Julho, com um concerto da Orquestra Sinfónica de Londres. A infra-estrutura, orçada em cerca de 7,2 milhões de euros, é composta por cinco pisos, tem um auditório com capacidade para 800 lugares e condições logísticas para receber todo o tipo de actividades culturais.
PROGRAMA DA INAUGURAÇÃO
BALÕES
Os alunos da Escola EB 2,3 Santo António, em Faro, lançam, a partir das 12h00, centenas de balões com convites à participação da população no evento e a inscrição de poemas de poetas algarvios.
FOTOGRAFIA
Às 15h00 é inaugurada, no Museu Municipal, a exposição de fotografia ‘Olhar Inquieto’. A partir das 16h30, a festa faz-se nas ruas da Baixa da cidade, com a participação de mais de 100 artistas.
CONCERTO
A Orquestra do Algarve dá o concerto inaugural, no Grande Auditório de Gambelas, às 18h00, com a participação da violetista Ana Bela Chaves. Às 22h00 é exibido um documentário no Teatro Lethes.
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