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Correio da Manhã

Cultura
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Artistas de luto por Sommer Ribeiro

José Sommer Ribeiro, director da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, faleceu no sábado, em Lisboa, aos 82 anos, vítima de doença prolongada.
18 de Setembro de 2006 às 00:00
O seu corpo está desde ontem em câmara-ardente na Basílica da Estrela, de onde sairá hoje, após missa de corpo presente a realizar pelas 12h30, para o Cemitério do Alto de São João, onde será cremado.
Director da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (FASVS), após 20 anos de dedicação à sede e ao museu da Fundação Calouste Gulbenkian, de onde se reformou do cargo de director em 1993 para se dedicar ao projecto da Praça das Amoreiras (FASVS).
A sua maior obra está nas exposições que organizou e nos artistas que contagiou com o seu entusiasmo pelas artes plásticas em geral e pela pintura em particular... É, pelo menos, esta a opinião unânime dos amigos contactados.
Não aceitava prendas e era ele próprio quem carregava os quadros e distribuía pelas paredes dos espaços a preparar para as exposições.
“Ficámos amigos em 1983 quando me escolheu para representar Portugal na Bienal de S. Paulo, da qual era comissário, e nunca consegui que recebesse de mim mais do que um ou outro desenho mas nunca um quadro. Ele era assim: ético e generoso, entusiasta e amigo. Fazia tudo por todos a troco de nada”, palavras de Graça Morais ao CM, pintora e amiga pessoal de Sommer Ribeiro, cuja perda resume a palavra única: “Insubstituível.”
A HISTÓRIA DE UMA VIDA
José Aleixo da França Sommer Ribeiro nasceu em Lisboa, no dia 26 de Junho de 1924, e teve por formação académica a Arquitectura mas foi nas Artes Plásticas que se realizou, nomeadamente, com a organização de mais de 600 exposições... Entre 1981 e 1993 foi director do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão e, posteriormente, da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.
Co-autor do projecto da Residência André de Gouveia da Cidade Universitária de Paris e autor do projecto da Casa de Bocage e do Museu de Óbidos, comissariou durante três décadas Portugal na Bienal de S. Paulo. Distinções nacionais e estrangeiras foram mais que muitas. Deixa viúva Helena Almeida Lima, duas filhas e, entre os netos, um finalista em Arquitectura.
AS REACÇÕES
"UM LUTADOR E UM ENTUSIASTA" (JÚLIO POMAR, PINTOR)
“Onde a batalha estava a ferver ele queria estar... Era um lutador e um entusiasta. A sensatez com que geriu o cargo de director do Museu de Arte Moderna da Gulbenkian é a sua maior obra, juntamente com o Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva que é assim como uma espécie de filho tardio. Sem ele não teria existido.”
"DIGINIFICAÇÃO E DINAMISMO" (JOSÉ DE GUIMARÃES, PINTOR E ESCULTOR)
“Éramos muitíssimo amigos desde há uns 30 anos... O seu nome ficará sempre ligado ao Centro de Arte Moderna, afinal, os grandes momentos da instituição devem-se a ele... Sempre se empenhou pela dignificação e pelo dinamismo daquela casa e essa foi, de facto, a sua grande obra.”
"CONTRUIU UM SERVIÇO" (JOÃO CUTILEIRO, ESCULTOR)
“Conhecemos-nos há décadas, era eu bolseiro da Fundação Gulbenkian e ele director do Serviço de Exposições e Museografia... O que ele fez na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva foi importante, mas na Gulbenkian foi muito mais do que isso: ele construiu um serviço de arte contemporânea.”
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