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Correio da Manhã

Cultura
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As vidas de três nomes do fado

A viver um pico de popularidade, o fado tem visto novos e ‘velhos’ valores invadirem os escaparates. São os casos de Artur Batalha, um veterano fadista de gema que regressa após dura luta contra a toxicodependência, e os novos valores que dão pelo nome de Clara, e, ainda, o singular projecto Rosa Negra. Mas vamos por partes.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
Rosa Negra traz ‘Fado Ladino’
Rosa Negra traz ‘Fado Ladino’ FOTO: d.r.
Mais de 20 anos depois de ter inscrito o nome no circuito do fado de Lisboa, Artur Batalha volta ao activo com ‘O Príncipe do Fado’. Trata-se do segundo volume de uma retrospectiva de carreira e chega ao mercado numa altura em que o artista tenta recuperar o seu lugar. Na verdade, o fadista ultrapassou um problema de toxicodependência e volta a levantar plateias, como aconteceu recentemente na Grande Noite do Fado na Casa da Música do Porto. ‘O Príncipe do Fado’ é um bom exemplo do timbre único de Artur Batalha, que em breve vai ser homenageado na Mouraria. O espectáculo está marcado para 3 de Dezembro, no Grupo Desportivo local. E tem já garantida a presença na Grande Noite do Fado, a 22 de Dezembro, na Aula Magna.
Com o fado na alma está também Clara, um novo valor que agora se dá a conhecer com ‘(En)cantos e Fado’. Clara já cantou com Carlos do Carmo e acaba de ser presenteada com o Prémio de Revelação do Ano na Noite de Fado da Casa da Música do Porto. O disco, já no mercado, contém 13 belas interpretações fortemente enraizadas na tradição popular.
Finalmente mas não menos importante, pelo contrário, uma referência a Rosa Negra, que se revela com ‘Fado Ladino’. Um extraordinário projecto que desbrava novos caminhos para o fado... ou os recupera, quiçá. Alicerçado numa base instrumental pouco convencional – piano, violoncelo, violinos, acordeão, percussões e trompete – o resultado é simplesmente... delicioso.
Carmo, a intérprete, canta de forma pouco ortodoxa este fado, mestiço como nenhum outro. E de repente lá está a ‘canção portuguesa’ com travo árabe, oriental, mediterrânico, de distantes paragens e tempos. ‘Vou Dar de Beber à Dor’, ‘Barco Negro’ e ‘Fado Ladino’ são exemplos maiores de um registo indispensável de quem acredita em novos destinos para o fado.
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