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Correio da Manhã

Cultura
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ATAQUE A LISBOA

Dos fracos não reza a história. E em momentos de crise, os grandes homens são aqueles que conseguem dar a volta por cima, ou por baixo, tanto faz. Hoje, amanhã e sexta-feira, Lisboa, mais concretamente o Coliseu dos Recreios, recebe um desses senhores: Robert Del Naja, mais conhecido por "3D", a esta altura um homem maior do que a própria história que o fez nascer.
21 de Maio de 2003 às 00:00
Quando, em 1987, foi convidado por Andrew "Mushroom" Vowles e Grant "Daddy G" Marshall (dois ex--Wild Bunch) para integrar um novo projecto musical, “3D” não passava de um simples artista de Bristol viciado em “graffitis”. Hoje é a força e a alma por detrás dos Massive Attack, ou não tivesse sido ele o autor, sozinho, do último trabalho do grupo, “100th Window”, aquele que vai servir de base aos espectáculos de hoje, amanhã e depois.
Resumindo, “3D” não só soube levantar um projecto moribundo pelas saídas de Mushroom (por motivos artísticos) e Daddy G (por motivos familiares), como conseguiu assinar aquele que é para muitos o mais inspirado registo da banda.
O mesmo é dizer que a esta altura os Massive Attack são uma espécie de alter-ego de Robert Del Naja. Por isso, quem se deslocar ao Coliseu dos Recreios não pode nunca esquecer que os Massive Attack só existem por vontade deste senhor.
Para ouvir estão os novos “Future Proof”, “What Your Soul Sings”, “Special Cases”, “A Prayer for England” e, certamente, temas mais antigos como “Angel”, “Tear Drop”, “Karmacoma”, “One Love” ou “Blue Lines”. Os concertos, já esgotados, têm início marcado para as 21h00.
DOT ALLISON NA PRIMEIRA PARTE
As primeiras partes dos espectáculos dos Massive Attack serão asseguradas por uma cantora britânica praticamente desconhecida em Portugal: Dot Allison, cuja voz tem acompanhado o grupo nesta digressão pela Europa.
Com dois álbuns editados até ao momento (”Afterglow”, de 1999, e “We Are Science”, de 2002), Dot Allison começou por integrar o grupo pop One Dove no final dos anos 90, com o qual viria a editar o disco “Morning Dove White”, em 1993. Desde meados dos anos 90 que a cantora vinha colaborando com nomes como Arab Strab ou Death In Vegas.
Paralelamente, iniciou uma carreira a solo com dois trabalhos aclamados pela crítica especializada. “Afterglow” é considerado uma referência na área do trip-hop.
Uma cantora cujo valor pode ser a partir de hoje confirmado ao vivo.
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