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Correio da Manhã

Cultura
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Atlântico recebe música de fusão

Damian Marley e Nas mostraram ontem à noite no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, uma simbiose perfeita entre o rap e hip-hop nova-iorquino e o reggae jamaicano. Apoiados no seu disco ‘Distant Relatives’, deram um concerto em que recordaram as raízes africanas.
15 de Abril de 2011 às 00:30
Dupla de cantores apresentou o projecto ‘Distant Relatives’ à sala de espectáculos lisboeta
Dupla de cantores apresentou o projecto ‘Distant Relatives’ à sala de espectáculos lisboeta FOTO: Vasco Neves

À primeira vista, a colaboração parece estranha: enquanto a música de Damian Marley reflecte a profunda crença nos princípios do movimento ‘rastafari’, como o amor pelo próximo e a liberdade para todos os povos, Nas privilegia o ‘hip-hop’ e o ‘rap’ mais extremo.

 

Em jeito de aquecimento, como se tal fosse preciso, o MC de serviço apresentou os protagonistas da noite. Apenas com um foco de luz branca sobre o palco, o mestre-de-cerimónias não parou de puxar pela plateia com sonoros “Are you ready?”. O público não se fez rogado e, de braços no ar, acompanhou os ‘scratchs’ e ‘samples’ que iam saindo da mesa de mistura, ansiosos pela entrada de Damian Marley e Nas em cena.

 

Já com o duo em palco, iniciam a sua ‘performance’ com ‘Tribes at War’ e, de imediato, passam para um caloroso ‘Nah Mean’. A marcar o ritmo, um dos membros da ‘troupe’ corria o palco com a bandeira da Etiópia desfraldada, relembrando o berço da cultura ‘rastafari’ abraçada por Bob Marley. Do lado da plateia, pequenos archotes trazidos por alguns espectadores lançavam labaredas para o tecto.

 

“É óptimo estar em Lisboa com o meu irmão”, clamou Nas, antes de passar para ‘If I Ruled the World’. ‘Breaks’ sucessivos relevam os sons de ‘Despair’ e, em ‘Promised Land’, dezenas de isqueiros cintilam no meio do público. Em jeito de recolhimento, Damian Marley congrega em ‘Mission’ as vozes da plateia, e,já com Nas a seu lado, cantam ‘Trouble’ ao desafio.

 

‘Welcome to Jamrock’ e ‘Africa Must Wake Up’, o tema que fecha o álbum do duo, terminam um concerto que já se prolonga por duas horas. Havia ainda tempo para o ‘encore’, com Damian a acompanhar Nas com os ritmos que retirava do djambé. Bob Marley ‘regressa’, por momentos, ao Atlântico em ‘Could You Be Loved’, fechando com chave de ouro um espectáculo de excelente nível.

 

Ainda com um Pavilhão Atlântico bastante despido, Richie Campbell apresentou o seu EP de estreia. Com uma experiência de estrada nada desprezível, tendo em conta a sua juventude, o cantor passeou-se pelo ‘soul’ e pelo ‘dancehall’, sempre com o ‘reggae’ como veículo privilegiado das suas canções.

 

Os Orelha Negra apoiaram a sua actuação no álbum homónimo da banda, uma agradável surpresa para o numeroso público que ia ocupando a plateia. Os cinco membros cruzaram de forma perfeita os sons ‘samplados’ e o ‘scratch’ com a bateria, o baixo e as teclas. Melódico quanto baste, apresentaram um som coeso, que tem na ‘soul’ e no ‘hip hop’ as suas principais influências, mas com um toque de portugalidade bem distinto.

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