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Correio da Manhã

Cultura
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Bairro brilha no Atlântico

Primeiro a ansiedade, depois os nervos e por fim... o êxtase. Por esta ordem, a sucessão de emoções não impediu o sucesso da estreia do Coro da Cova Moura perante 32 mil pessoas. Dezasseis jovens daquele bairro dito problemático foram ontem e anteontem as estrelas mais jovens no palco de Roger Waters, no Pavilhão Atlântico em Lisboa.
23 de Março de 2011 às 00:30
Grupo evitou nervos ao subir ao palco
Grupo evitou nervos ao subir ao palco FOTO: JOÃO CORTESÃO

O coro formou-se precisamente a convite da Ritmos & Blues, promotora dos dois espectáculos do fundador dos Pink Floyd, como explicou ao CM Whassysa, 27 anos, responsável do centro de actividades de tempos livres (ATL) da Associação Moinho da Juventude, que motivou o jovem grupo.

"O coro nasceu há um mês, na sequência do convite da produtora", confirmou ao CM. E os miúdos do bairro ficaram entusiasmados? A resposta não deixa dúvidas: "Não faltaram a nenhum ensaio, todos os dias, durante duas semanas." Dos oito aos 16 anos, elas e eles empenharam-se na letra – "uns tinham mais dificuldades a cantar em inglês" – e no projecto. "Fizeram pesquisas sobre o Roger Waters, que nem sabiam quem era", concretizou a responsável.

O resultado "foi muito fixe", confirmou Patrícia, 14 anos, reforçando: "Atrapalhei-me um pouco nos passos e estava toda a tremer, muito nervosa." Sem tremores subiu ao palco José Carlos, nove anos. "Não estava nada nervoso e foi bonito", garantiu ao CM sobre a sua estreia em palco, pela primeira vez num concerto. Quanto a Roger Waters, a opinião do grupo é unânime: "É muito porreiro."

A participação valeu-lhes o reconhecimento dos colegas na escola e de alguns moradores do bairro. "A maioria nem viu o ‘Telejornal’", brincou Patrícia. E rendeu ainda um donativo que a associação deverá usar "nas colónias de férias", segundo Whassysa.

ROGER WATERS CONCERTO COVA DA MOURA MÚSICA
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