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Correio da Manhã

Cultura
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Barrancos está de novo em festa

Barrancos foi, entretanto, legalizada. Não sobra, agora, esse picante de estar contra
29 de Agosto de 2007 às 00:00
Barrancos está de novo em festa
Barrancos está de novo em festa
Muitos dos leitores que dedicam semanalmente a sua atenção a este ‘Apontamento’, em particular aqueles que, como já me foi dito, se deitam a adivinhar o(s) tema(s) que aqui trago, estariam à espera que vos falasse da corrida de amanhã, no Campo Pequeno, em Lisboa, a do Sporting. Mas não, não é disso que mais vos falo hoje.
Barrancos está em festa! E porque beneficia de excepção (...), vai aí lidar-se e estoquear-se toiros de lide! Tema importantíssimo se pensarmos no que foi Barrancos durante muitos e muitos anos. A voz contestatária da Festa de Toiros em Portugal, não que ali se tenha desenvolvido o modelo formal da corrida, mas a grande festa popular do encierro (entrada de toiros) e da lide toiros, rematada com a estocada. Isto em recinto público, no largo principal, onde se apinham as gentes entusiasmadas por valores e tradições, que até são apreciadas desde janelas e torre de Igreja!
Barrancos foi, entretanto, legalizada. Não sobra, agora, esse picante de estar contra, não por estar, mas por questão de razão. Agora, é tempo diferente. Sem perder raízes e mantendo-lhes a chama, é tempo de evoluir, cuidando do espectáculo. Pela primeira vez, após legalização, vai um matador de toiros português matar toiros em Portugal, ali em Barrancos. No caso, hoje mesmo, o jovem da Moita Luís Procuna, que, aos 11 anos de idade, ali mesmo estoqueara contra-lei e saíra em ombros, por entre apoteose popular. Volta esta tarde e sorrirá de especial contentamento. Vale também a sua entrega de há 11 anos. Como a de outros espanhóis e desse ídolo local, o ‘diestro’ Pepe Câmara, que ali fez história há mais de 30 anos.
Hoje, dois toiros-toiros de Herculano, Filhos, vão ser estoqueados pelo jovem matador Procuna. A lei sorrindo, talvez pensando que, no futuro, abrangerá, por excepção, Moita, Vila Franca de Xira, Santarém, Montijo, Alcochete e por que não Lisboa.
Não haverá picadores e a trincheira será o povo. Barrancos está em festa.
Mas os tais leitores a que me referi no princípio, e que apostavam que falaria da Corrida do Sporting, vão sentir que, de facto, tinham razão. Porque não quero deixar de assinalar a nocturna de amanhã em Lisboa, a Corrida do Sporting (ver cartaz) que tem duas componentes muito especiais: como aperitivo a boa música portuguesa na voz dos Quatro Cantos, isto é, as vozes de António Pinto Basto, Maria Armanda, Teresa Tapadas e José da Câmara; e na corrida propriamente dita a primeira em que se encontram no Campo Pequeno as duas mais jovens revelações, com êxitos em Portugal e no estrangeiro, João Moura Filho e João Ribeiro Telles Filho, sem dúvida uma competição que irá agitar os aficionados no futuro e, estamos em crer, a partir da noite de amanhã.
Não esqueçamos, entretanto, e a propósito da mesma corrida, a presença de Joaquim Bastinhas e da ganadaria triunfadora da passada temporada, Herdade de Pégoras, cujos toiros serão pegados por forcados de três regiões do nosso país: Lisboa, Coruche e Portalegre. A verdade é que toiros e futebol são duas realidades portuguesas que, para os melhores efeitos, podem andar de braço dado.
'MANOLETE'
‘Manolete’ foi colhido mortalmente, em Linares, fez ontem 60 anos. Alternava com ‘Gitanillo de Triana’ e ‘Luis Miguel Dominguin’, na lide de toiros de Miúra. Destes, o ‘Islero’, levou à eternidade Manuel Rodríguez Sanchez ‘MANOLETE’, figura incontornável da História da Tauromaquia mundial.
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