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Correio da Manhã

Cultura

Batalha desvenda segredos seculares

Escavações arqueológicas a decorrer na Batalha puseram a descoberto várias sepulturas e ossadas que podem pertencer aos arquitectos ligados à construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória.
2 de Junho de 2006 às 00:00
As ossadas podem pertencer aos arquitectos do mosteiro
As ossadas podem pertencer aos arquitectos do mosteiro FOTO: Cláudio Garcia
“É surpreendente o que encontrámos, pois pensava-se que tudo havia sido destruído. Nunca imaginámos encontrar os enterramentos em tão bom estado”, revelou ontem ao CM Paulo César Santos, arqueólogo e técnico do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitectónico.
Nesta primeira fase de prospecções foram descobertas cinco sepulturas e diversas contas de rosários (terços), feitas em osso e azeviche. As peças serão estudadas e catalogadas e as ossadas, depois de retiradas, seguem para o Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, para análises complementares.
Embora seja difícil saber, para já, a quem pertencem as sepulturas, uma vez que estas não têm lajes, admite-se que possam pertencer a alguns dos mestres envolvidos na construção do Mosteiro, casos de Boitaca ou Huguet. Isto porque, segundo dados históricos, vários obreiros do monumento foram sepultados na Igreja de Santa Maria a Velha, o primeiro templo religioso a ser construído na zona (1385) para dar apoio espiritual aos operários .
Após os estudos antropológicos, as ossadas serão devolvidas à Batalha. Nessa altura, Paulo César Santos irá propor a construção de um monumento em homenagem a quem trabalhou na construção do Mosteiro, uma obra reclamada há muito pelo historiador José Travaços Santos.
As escavações desenvolvidas pelos técnicos do IPPAR têm como objectivo estudar o espaço nas traseiras do Mosteiro da Batalha, antes de avançar com um projecto de arquitectura paisagística.
Além das sepulturas, os investigadores encontraram ainda parte da sapata de uma fachada do Claustro de D. João III, que se julgava ter sido destruída pelas tropas de Napoleão, durante as invasões francesas. No local, os técnicos recolheram fragmentos de cerâmica com referência aos dominicanos, um achado inédito na zona. A segunda fase dos trabalhos, prevista para meados deste mês, procurará definir os limites da Igreja de Santa Maria a Velha.
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