Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
3

Ben Affleck: “Sempre quis ser realizador”

Em 1997 foi tornado público um dossier secreto que anunciava o envolvimento da C.I.A. e de Hollywood no maior resgate de reféns sempre. O projecto, que começou por ser adquirido por George Clooney, que co-produz o filme, acabou por chegar ao conhecimento de Ben Affleck, que implorou ao colega que o deixasse participar. “Acho que ele me disse que sim, só para se livrar da minha perseguição”, gracejou o divertido Affleck durante a promoção de ‘Argo’ no 56º BFI London Film Festival.
30 de Outubro de 2012 às 19:23
Ben Affleck, no 56º BFI London Film Festival: “Considero-me realizador, actor, argumentista e produtor. Acho que tudo faz parte do gesto de fazer o filme.”
Ben Affleck, no 56º BFI London Film Festival: “Considero-me realizador, actor, argumentista e produtor. Acho que tudo faz parte do gesto de fazer o filme.” FOTO: EPA

O que para Ben começou por ser um projecto de realização acabou por acumular o papel de Tony Mendez, o operacional da C.I.A. responsável pelo sensacional resgate, que ficou conhecido como "a crise dos reféns".

No fundo, o resgate de seis americanos retidos na embaixada do Canadá, em Teerão, em pleno período revolucionário, após a subida ao poder do Ayatollah Khomeini em 1979.

O resultado é um filme magnífico que não deverá falhar a lista restrita de nomes a sugerir para o Óscar de Melhor Filme: ‘Argo' tem a vantagem de ser um filme baseado numa história verídica, normalmente reconhecido pela Academia, ainda por cima tratando-se de uma ‘proeza' deste calibre.

Ben Affleck revela-se um realizador com que podemos contar, exímio em equilibrar a veracidade da história com os elementos de puro entretenimento de um filme de estúdio.

"Enquanto realizador tenho dois tipos de responsabilidade", explicou-nos. "Por um lado, fazer o melhor filme que puder e ainda fazê-lo da melhor forma possível. É claro que existem alguns detalhes que são ficção, mas todo o corpo da história é absolutamente verídico."

Segundo Ben Affleck os seus "pecados", enquanto contador de uma história, "são mais de omissão", pois muitos detalhes de toda esta operação não puderam ser incluídos.

Apesar dos rumores que o dão como candidato aos Óscares, mostrou-se cauteloso. E fala já como um verdadeiro realizador: "O que posso dizer é que estou apenas concentrado em que o maior número de pessoas vejam o filme. Isso é que é importante para mim. Por isso, não antecipo nenhum outro tipo de reconhecimento que não seja esse mesmo."

Ainda assim, confessou-nos mesmo o seu sonho: "Sempre quis ser realizador". Ele admite que de certa forma usou até "a carreira de actor como escola de cinema", justificando que "não o poderiam expulsar apenas por fazer perguntas".

Ambicioso como é, não se fica como actor-realizador: "Considero-me realizador, actor, argumentista e produtor. Acho que tudo faz parte do gesto de fazer o filme."

Cultura Cinema Festival de Cinema de Londres Ben Affleck 'Argo'
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)