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Correio da Manhã

Cultura
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BERLINENSES 'CAPTURADOS'

Uma mala de mão da autoria de um assaltante, uma série de camisas da criação de um traficante de droga ou um par de tenis produzido por um homicída, à primeira vista, parece campanha de 'marketing' agressivo mas não. Trata-se de um novo mercado de trabalho prisional que traz reclusos e autoridades animados e ainda uma clientela insaciável.
25 de Agosto de 2003 às 00:00
Anúncio da campanha publicitária da marca de roupa e acessórios
Anúncio da campanha publicitária da marca de roupa e acessórios FOTO: Handdout/Reuters
Tudo começou num estabelecimento prisional de Tegel, na cidade alemã de Berlim, já ninguém sabe muito bem como (ver caixa) mas, em contrapartida, sabe-se que, assim que se lembraram de publicitar a etiqueta "Haefling" (palavra alemã que significa capturado) num 'site' da Internet, as encomendas, mais que muitas, obrigaram a novo anúncio, desta vez para dar conta da impossiblidade de resposta, tal era o número de pedidos.
"Muitos dos meus amigos matariam por uma camisa destas", a afirmação é de Matthias Meyenberg, de 38 anos, condenado a três anos por tráfico de droga. E, a ensaiar explicação para tão insólito sucesso, avança: "Os produtos são divertidos e, sobretudo, um bocadinho asustadores".
Nem a propósito, para Christoph Kaptuarzak, de 45 anos e dez ainda por cumprir, o trabalho, diferente do habitual, é muito estimulante mas... "Não me parece que alguém se orgulhe de andar por aí com uma mala de mão feita por um detido".
Certo é que a moda é um segmento de mercado inédito nas prisões, o que tanto gera estímulo no interior como curiosidade no exterior. Um dia destes, quem sabe, numa loja perto de si.
PUBLICIDADE INESPERADA
Desde 1898 que os reclusos do estabelecimento prisional de Tegel fabricavam a sua própria roupa, cujo excedente era comercializado numa loja do espaço prisional, por isso, só conhecida por familiares e amigos. Este ano, inesperadamente, tudo mudou. Na origem esteve um simples anúncio de jornal que tocou a curiosidade de um publicitário. Stephan Bohle, da agência Herr Ledesi, não descansou enquanto não levou para a Internet a descoberta. O "site" é o www.haeftling.de e apela a um consumo consciente e solidário. A oferta, essa, publicita-se a si própria: artigos "de dentro" para usar "fora"... E há de tudo para quem quer parecer "capturado" sem sacrificar a liberdade.
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