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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Bertrand comprada

A Bertrand está a um passo de ser vendida ao gigante livreiro Bertelsmann, mais precisamente através do Círculo de Leitores, empresa pertença daquele grupo alemão. O negócio, de dezenas de milhões de euros, estará concluído até meados de Julho.

18 de junho de 2006 às 00:00

Carlos Resende Duarte, administrador da Bertrand, confirmou ao CM “as negociações em curso”, mas não quis revelar mais pormenores.

Confrontado com os rumores de que a maior rede de livrarias do País atravessa dificuldades financeiras – o que poderia explicar a venda –, Resende Duarte desmentiu e apenas adiantou que “o negócio deverá estar concluído em meados de Julho”.

A notícia, avançada ontem pelo jornal ‘Expresso’, vem criar um ambiente de incerteza e receio quanto ao futuro dos funcionários da Bertrand, segundo fontes da rede livreira, clima que o administrador do grupo desmente. “Está tudo tranquilo”, garante Resende Duarte.

Zita Seabra, ligada à Bertrand durante vários anos (deixou a empresa há ano e meio para fundar a editora Alêtheia) considera o negócio “positivo para o mercado de editores e livreiros que atravessa sérias dificuldades.” E mostra-se ainda confiante quanto ao futuro daquela empresa. “A Bertelsmann é um grupo muito importante, é a maior rede de editores e livreiros do Mundo, e, certamente, vai assegurar a continuidade da Bertrand.”

De acordo com fontes contactadas pelo ‘Expresso’, “a Bertelsmann pretende manter as duas organizações (Bertrand e Círculo de Leitores) com a sua personalidade própria, as suas marcas, a sua forma de trabalhar e a sua gestão”.

A Bertrand é a maior empresa do sector a funcionar em Portugal há mais de 270 anos e, a três meses de abrir mais duas grandes lojas – no Campo Pequeno e no Algarve –, soma já 47 espaços em todo o País.

NEGÓCIO DE MILHÕES

Composto por quatro empresas – a ‘holding’, a gestora da rede de livrarias, a editora das marcas Bertrand e Quetzal e a distribuidora –, o grupo Bertrand aliado ao Círculo de Leitores permitirá à Bertelsmann reforçar a presença em Portugal e combater taco-a-taco, na área do retalho, com a francesa Fnac.

A Bertrand edita ‘bestsellers’ como ‘O Código Da Vinci’ e prevê facturar, até ao final do ano, cerca de 50 milhões de euros.

Já o gigante alemão estende assim os ‘tentáculos’ que, além do sector livreiro, passam ainda pelo discográfico(detém a editora Sony/BMG) e pela televisão, através da participação de 33 por cento na Media Capital, empresa que gere a TVI.

O CM tentou ainda contactar o Círculo de Leitores mas, até ao fecho desta edição, tal não foi possível.

DOIS SÉCULOS

A editora Bertrand foi fundada em Lisboa no longínquo ano de 1732 e desenvolve três actividades: a edição, a distribuição e a venda ao público de livros. Determinante na vida cultural, intelectual e académica portuguesa, pertenceu até 1994 a um empresário galego, Manuel Boullosa, passando então para as mãos do actual proprietário, José Sotto Mayor Mattoso.

47 LOJAS

Em Setembro, a Bertrand vai abrir mais dois grandes espaços de venda de livros ao público – um no Campo Pequeno, em Lisboa, outro no Algarve. A rede livreira detém 47 lojas e as mais recentes possuem auditório, ‘press center’, café e espaços infantis.

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