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Correio da Manhã

Cultura
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BLASTED SALVAM A HONRA DO CONVENTO

O segundo dia de rock do festival começou morno e nunca chegou propriamente a aquecer, talvez porque o cartaz fosse pouco apelativo. A excepção foram os nossos Blasted Mechanism que, com um novo álbum na bagagem, "Namaste", salvaram a "honra do convento".
21 de Julho de 2003 às 00:00
O palco secundário teve a presença, logo a partir das 17h00, dos Kamikaze, com um rock pesado bem elaborado. Seguiram-se os Grace com uma sonoridade bastante "seventies" e, a finalizar, os Toranja. Apesar das prestações acima da média, nenhuma das bandas conseguiu levantar o público da relva: foi tempo de relaxar, beber um copo ou, simplesmente, dormir.
RUFUS PROVOCA DEBANDADA
No palco principal o brasileiro Lenine tocou ainda de dia para meia dúzia de espectadores, que foram aumentando de número com a actuação dos espanhóis Los Planetas.
Nada de transcendente até aqui e só com Blasted Mechanism é que a assistência chegou às cerca de dez mil pessoas. A banda está em grande forma, a música agrada, o visual também e a química com os espectadores é imediata. O som estava bom e a iluminação deslumbrante.
O norte-americano Rufus Wainright “aterrou” em Vilar de Mouros sem banda, vestido de calças de ganga e sandálias de pescador. Tentou cativar somente com a voz, um piano numas músicas e uma guitarra acústica nas outras, mas não o conseguiu! A sua música não se enquadra no gosto do público dos festivais e, aos poucos, começou a debandada para as barracas de comes e bebes. O descontentamento era geral: "Este tipo ficava bem num concerto mais intimista", era voz comum.
Quando David Fonseca subiu ao palco, quase meia hora antes do previsto, encontrou o recinto bastante desfalcado de público. Agora a solo, Fonseca conseguiu, porém, dar a volta por cima e oferecer um bom concerto sem grandes brilharetes. O álbum "Sing Me Something New" foi tocado na íntegra e ainda houve tempo para versões de temas dos Pixies e dos The Cars. Ficavam-se por algumas centenas os resistentes que viram o final da actuação do músico. E foi pena.
No palco secundário, estava de novo o cabeça-de-cartaz, DJ Mad Professor que, com a sua sonoridade ‘reggae’, quase lotou o pequeno recinto.
POUCA SEGURANÇA NO CAMPISMO
O “povo” presente na aldeia minhota aproveitou o sol de sábado para um mergulho nas azenhas, lugar paradisíaco no Rio Coura que tem também um pequeno parque de campismo. Apesar do acesso não ser dos melhores, há muito quem escolha o lugar situado atrás do palco principal no outro lado do rio. Falava-se à boca cheia nos muitos assaltos a tendas verificados na noite anterior e mesmo de dia, enquanto os ocupantes estão a ver os concertos. A falta de segurança, o tamanho do recinto e o campismo selvagem são, talvez, as únicas nódoas apontadas à edição de 2003 do Festival de Vilar de Mouros .
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