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Correio da Manhã

Cultura
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Bonga faz 50 anos de canções

Esta noite, a Aula Magna vai ser pequena para acolher os muitos fãs de Bonga, o cantor angolano venerado pelas comunidades africanas residentes em Portugal, que é cabeça de cartaz do espectáculo ‘Força Angola’.
29 de Setembro de 2006 às 00:00
Bonga faz 50 anos de canções
Bonga faz 50 anos de canções FOTO: Tiago Sousa Dias
A festa, marcada para as 21h00, mas que certamente entrará pela noite dentro, tem outras participações ilustres, mas é Bonga que tem servido para promover um evento que pretende ser uma celebração do melhor que tem a cultura angolana.
Quem diria que um homem com uma carreira activa de 50 anos e já com 32 discos no currículo, começou por dar nas vistas como... atleta?
CAMPEÃO
José Adelino Barceló de Carvalho, de seu nome verdadeiro, decidiu passar a chamar-se Bonga Kuenda como forma de vincar a sua oposição face ao regime colonialista. Em 1966, veio para Portugal a convite do Benfica, depois de ter conquistado os maiores títulos de Angola nas provas de atletismo dos 100, 200 e 400 metros. Por cá manteve o título de campeão dos 400 metros durante uns impressionantes dez anos.
Em 1972, porém, deram-se algumas rupturas: aos 30 anos, o percurso no atletismo chegou ao fim e Bonga decidiu retomar a vocação que alimentava desde criança, mas que mantivera abafada durante uma década: a música. Começou a compor e, nesse mesmo ano, lançou o seu disco de estreia: ‘Angola 72’.
Foi o princípio de uma carreira que não mais parou de crescer e que o torna, actualmente, num dos nomes africanos mais conhecidos – e reconhecidos – a nível internacional. Esta noite, é tempo para conferir, ao vivo, a sua energia. O espectáculo repetirá na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico, a 8 de Outubro.
PERFIL
José Adelino Barceló de Carvalho nasceu em 1942, em Caxito, Angola, e inicia a sua aprendizagem musical muito cedo, com o pai, que era acordeonista. Funda o grupo Kissueia, mas aos 23 anos é descoberto pelos talentos desportivos e desviado da música durante quase uma década.
Aos 30 anos regressa às raízes e edita o álbum ‘Angola 72’, que se torna um manifesto independentista entre a população angolana. Entre os seus discos mais populares estão ‘Katendu’, ‘Raízes’ ou ‘Kaxexe’.
REUNIÃO DA GRANDE FAMÍLIA ANGOLANA
Apesar de Bonga ser a estrela mais em foco no espectáculo de logo à noite na Aula Magna, pelo simbolismo dos seus 50 anos ao serviço da música angolana, o espectáculo (com início agendado para as 21h00) é, sobretudo, um pretexto para reunir
a grande família angolana... e não só.
De facto, pelo palco da Aula Magna vai desfilar também uma série de artistas convidados.
São os casos de Waldemar Bastos – que aproveitará por certo a ocasião para mostrar o recente disco ‘Renascence’ –, Danny L., Eduardo Paim, Té Macedo, Deusa, os belgas Vaya Con Dios e Dog Murras. Este último, que explora o estilo kazucuta, conta já com uma sólida base de fãs no nosso país, tendo já conquistado um disco de prata, em 2001 (‘Natural e Diferente’), e outro de Ouro, em 2002 (‘Bué Angolano’).
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