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Correio da Manhã

Cultura
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Borba recupera História

Quinze telas datadas do século XVIII em avançado estado de degradação estão a ser recuperadas pela Câmara Municipal de Borba. A iniciativa do presidente a autarquia, Ângelo de Sá, centra-se um conjunto de obras que pertenciam ao espólio do Palacete dos Melos, um dos edifícios históricos da vila alentejana.
16 de Agosto de 2006 às 00:00
Motivos religiosos e artísticos, caça e pesca, predominam nos temas das pinturas. Apesar da falta de uma investigação científica, os elementos retratados indicam, com alguma fiabilidade, a época em que foram realizadas. Nenhuma está assinada e, para já, é também impossível calcular o seu valor patrimonial e artístico.
Segundo tudo indica, as peças estariam abandonados desde por volta de 25 de Abril de 1974. “Encontrámos as telas no sótão dos Paços do Concelho em avançado estado de degradação. Pó, insectos e algumas até já rasgadas”, explicou ao CM o Ângelo de Sá, um homem que acha importante preservar o património.
Para restaurar as telas, Ângelo de Sá contactou Diana Conde e Pedro Espanhol, dois jovens licenciados em pintura, que tomaram conta do trabalho de recuperação das obras – “cada tela demora , em média, dois meses a ser recuperada”. Duas já estão, as restantes vão demorar algum tempo.
Todo o trabalho está a ser concebido em Lisboa, no ateliê de Diana Conde. A intervenção nas telas de têmpera sobre linho, a maioria das quais com 1,75 x2,00 metros, passa pelo remendo dos buracos e rasgões, limpeza e aplicação de nova camada pictórica idêntica à original.
Ângelo de Sá considera uma “obrigação” (ver entrevista) preservar o património da terra. E, se o restaurador for local, ainda melhor. “Quando decidimos intervir, recorri ao Pedro por ser um filho da terra, e porque estas questões da recuperação do património são muito importantes para a identidade de um povo. Sei que está ali uma parte da história de Borba”, explicou.
A juntar às telas, há outro património histórico em recuperação: o Palacete dos Melos.
EDIFÍCIO CLASSIFICADO
O Palacete dos Melos é o n.º 58 da Rua 13 de Janeiro em Borba. É um dos principais edifícios históricos da vila e propriedade da autarquia. A construção data do séc. XVIII e pertenceu a famílias abastadas relacionadas com o negócio do vinho, um dos principais vectores do desenvolvimento do concelho.
Durante as décadas de 60 e 70 funcionou como escola, mas encerrou portas poucos anos após a Revolução de Abril. Actualmente, é um edifício classificado, que está a sofrer obras de requalificação devido ao elevado estado de degradação. Numa primeira fase foi reconstruído o telhado, seguem-se os interiores e exterior. Quando concluído funcionará como biblioteca e videoteca municipal.
"NÃO SOU FUNDAMENTALISTA PELO PATRIMÓNIO"
Correio da Manhã – Já tem lugar para expor as telas restauradas?
Ângelo de Sá – Irão voltar à sua localização original, o Palacete dos Melos. Aquelas cuja proveniência desconhecemos vão ficar aqui na Câmara.
– Tem alguma ligação às questões da recuperação do património?
– Não, mas, embora não seja fundamentalista, o património deve ser cuidado. Temos de olhar em frente mas o que se puder preservar é nossa obrigação fazê-lo e é por isso que também temos optado por levar a cabo outras recuperações.
– Que outro património fez questão de recuperar em Borba?
– Locais emblemáticos da vila como a Fonte das Bicas e o Palacete dos Melos. Fizemos algumas escavações arqueológicas e está para breve a colocação de uma representação moderna do pelourinho.
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