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Correio da Manhã

Cultura

BOSSA NOVA COM NATURALIDADE

Cresceu a pensar que seria médico, estudou jornalismo mas a música falou mais alto. Descoberto por Gilberto Gil, Celso Fonseca é hoje um dos nomes fortes da música brasileira. Em entrevista ao CM, o músico falou do seu novo disco... e não só.
7 de Março de 2003 às 00:00
Correio da Manhã - Nunca pensou ser músico e até chegou a estudar jornalismo. Como é que a música se tornou numa carreira?
Celso Fonseca - As minhas primeiras memórias musicais são os clássicos. Ouvia muita música popular brasileira, Baden Powell, e os Beatles, através das rádios. Depois aprendi a tocar violão. Cresci a pensar que iria ser médico como o meu pai. Mas decidi ser jornalista e, quando já andava na faculdade, toquei numa banda jazz que acabou por ser ouvida por Gilberto Gil, que me convidou para tocar com ele.

- E foi desde esse dia que começou a acompanhar Gilberto Gil?
- Sim. Durante muitos anos fui músico de estúdio e de palco de Gilberto Gil. Depois também fui guitarrista de Caetano Veloso, Gal Costa, Djavan, Carlos Santana, Carlinhos Brown, Chico Buarque, Marisa Monte, Bebel Gilberto e outros...

- Contudo, não se limitou a tocar e desenvolveu também actividades como produtor e compositor...
- São actividades complementares que me realizam. Escrevi canções para Maria Bethânia, Milton Nascimento, Carlinhos Brown, Gal Costa, Gilberto Gil e outros. Produzi álbuns de Gilberto Gil, Gal Costa...

- No seu novo disco, “Natural”, o Celso Fonseca é um verdadeiro homem dos sete instrumentos...
- É verdade. Eu estou todo ali. Compus, toquei, cantei, produzi, enfim, concentrei em mim todas as partes do processo. São coisas que faço com muita naturalidade, há muito tempo.

- É por isso que o álbum se chama “Natural”?
- Sim. É uma criação por diversas etapas que saem naturalmente de mim. O título também está relacionado com a simplicidade das canções que integram o disco.

- Para quando um concerto em Portugal?
- No Verão, mas ainda não há data definida. Na minha próxima digressão, vou também tocar no Japão e noutros países da Europa.

- Como foi produzir um álbum do mestre da guitarra portuguesa António Chaínho?
- Foi maravilhoso. Ele é mesmo um “mestre” como vocês dizem. Aprendi muito com ele.

- A bossa nova é actualmente um dos estilos mais apreciados em todo o Mundo. A World Music parece estar a ganhar uma projecção cada vez maior. Concorda?
- Sim. A bossa nova tem, desde sempre, atraído as atenções do Mundo. Quanto à World Music... é uma designação que não gosto muito de usar, ou melhor, de generalizar. Não é justo que o fado, a música africana, a bossa nova, estejam todos no mesmo saco. Mas o interesse do público pelos “sons do Mundo” é , de facto, cada vez maior. E isso é óptimo.

PERFIL

Carioca, instrumentista, compositor e produtor, Celso Fonseca estreou-se ao lado de Gilberto Gil, mas a partir de 1981 tocou e gravou com os maiores nomes da música brasileira. Fez mais de 20 digressões internacionais e participou quatro vezes do Festival de Montreux. Tem quatro bem sucedidos discos a solo: "Minha Cara", "O Som do Sim", "Sorte" e "Paradiso”. Em 2002 foi nomeado para duas categorias dos prémios Grammy latinos.
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