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Correio da Manhã

Cultura
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CAPITAL DA CULTURA CONTRA PESSIMISMO

As manifestações culturais “servem para nos afirmarmos enquanto País” e dão-nos “energias para podermos responder às exigências dos tempos de hoje, que são difíceis e complicados”, afirmou ontem o Presidente da República, Jorge Sampaio, na abertura oficial da Capital Nacional da Cultura, em Coimbra.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
Depois de visitar duas exposições, uma dedicada a Miguel Torga e outra à escultura “Do Gótico ao Maneirismo”, o Chefe de Estado disse que os portugueses estão a precisar de recuperar a auto-estima, pois o País tem “uma bela história” e razões mais que suficientes “para olhar em frente”.

“Já chega de pessimismo”, afirmou Jorge Sampaio, sublinhando que a história portuguesa “está esmaltada de euforia e de períodos de pessimismo”, mas que nos momentos menos bons é preciso ganhar capacidade para “olhar em frente”.

Neste contexto, o Presidente da República considera vital a aposta nas manifestações culturais, não só como meio de afirmação da identidade nacional, mas sobretudo como uma fonte de energia para ultrapassar os períodos mais difíceis.

A primeira Capital Nacional da Cultura assume-se assim como “um momento de afirmação para Coimbra”, ao fazer emergir o património cultural em todas as vertentes.

Para Jorge Sampaio, este tipo de iniciativas deixa consequências muito positivas, ao criar novas ofertas e procuras no âmbito da cultura.

“Não há cidades sem manifestações culturais” e uma das formas de enriquecer as zonas urbanas “é colocá-las no mapa do ponto de vista cultural”, adiantou o Presidente da República.

Segundo Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, o evento “pode ser um emblema definitivo para o lançamento do desenvolvimento” do concelho.

“Vamos mostrar que temos condições para competir em pé de igualdade com quem quer que seja e fazer um desenvolvimento cultural que pode ser único no País”, garantiu o autarca.

Confrontado com a falta de publicidade à iniciativa nas ruas da Baixa de Coimbra, por onde passam milhares de pessoas, Carlos Encarnação limitou-se a dizer: “isso vai resolver-se”.

Antes da entrada da comitiva oficial na exposição de escultura, patente na Sala da Cidade, o historiador Pedro Dias, revelou ter havido uma promessa do Ministro da Cultura para a conclusão das obras do Mosteiro de Santa Cruz ainda este ano e não em 2007 como estava previsto.

O programa do primeiro dia da Capital da Cultura incluiu ainda um concerto da Orquestra Gulbenkian, no Teatro Académico Gil Vicente, ao qual assistiu também o primeiro-ministro, Durão Barroso.
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