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Correio da Manhã

Cultura
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Carruagens e comboios

O Museu das Terras de Basto, em Cabeceiras de Basto, tem no seu espólio algumas peças únicas de grande valor, nomeadamente as carruagens reais do rei D. Carlos (alemã, 1906) e da rainha D. Amélia (belga, 1905) e ainda velhas locomotivas alimentadas a carvão.
21 de Janeiro de 2007 às 00:00
No Museu das Terras de Basto, situado na extinta linha ferroviária do Tâmega, é possível ver, entre outras peças de grande valor, duas carruagens reais e uma máquina a vapor construída em 1908
No Museu das Terras de Basto, situado na extinta linha ferroviária do Tâmega, é possível ver, entre outras peças de grande valor, duas carruagens reais e uma máquina a vapor construída em 1908 FOTO: Pedro Sarmento Costa, Lusa
Sediado na antiga estação da CP de Arco de Baúlhe, na extinta Linha do Tâmega, é uma miscelânea de museu ferroviário e de mostra da etnografia regional. Dispõe de centro de interpretação, serviço educativo, centro de documentação e mostra três exposições temáticas: ‘Vamos à aldeia’, ‘Viajar, viajar’ e ‘Vamos andar de comboio’.
O lado etnográfico do museu passa, de momento, pela mostra ‘Um olhar sobre a medicina popular’, onde se podem reviver os usos medicinais das ervas da região, visionando artefactos como ‘olhos de vidro’, remédios das farmácias do séc. XIX e receitas de mezinhas que curavam as maleitas das gentes de Basto.
‘PICAR O BILHETE’
Nascido do núcleo museológico ferroviário que a CP aí mantinha, o museu foi ampliado através de um protocolo com a Câmara de Cabeceiras de Basto que o dirige e mantém. No local, agora com acesso pela auto-estrada A11, os visitantes – cerca de onze mil em dois anos – são recebidos pela técnica de turismo Conceição Magalhães, ou pelo responsável, Francisco Freitas.
A entrada é a própria antiga estação onde o visitante ‘pica o bilhete’ e escolhe a exposição a visitar, tendo acesso a toda a informação disponível. E, no final, encontra na loja de ‘Perdidos e achados’ a lembrança certa, em produtos artesanais.
Com o bilhete na mão, que dá direito a visita guiada, percorrem-se as várias exposições: ‘Vamos à Aldeia’ (onde se descobre o que ia num comboio de mercadorias), ‘Vamos andar de comboio’ (carruagens de outrora, como uma inglesa de 1876, e as locomotivas a carvão) e ‘Viajar, Viajar’, onde se evocam as malas ou os sacos do lanche de quem desceu da serra com memórias de comboios, carris, relógios e cheiros de pão fresco, searas e água a correr.
A exposição abre o apetite para uma outra, ‘150 anos dos Caminhos-de-Ferro’, que revive as ferramentas utilizadas na construção das linhas ferroviárias e mostra as luxuosas carruagens de D. Carlos e D. Amélia.
No exterior é possível apreciar os jardins que, durante anos, distinguiram a estação como a mais florida da CP.
O museu possui rampas de acesso às exposições, textos e catálogos em braille e um de Centro de Documentação onde se pode consultar jornais, fotografias e títulos relacionados com a história da região de Basto.
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