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Correio da Manhã

Cultura
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Casey supera Brad Pitt

Em The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford’ – mostrado na competição oficial –, o actor Casey Affleck supera Brad Pitt a nível de interpretação. Já o realizador Woody Allen, com ‘Cassandra’s Dream’, ficou aquém do esperado.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Os actores Sam Shepard, Brad Pitt
Os actores Sam Shepard, Brad Pitt FOTO: Claudio Onorati/Epa
No final das mais de duas horas e meia de fita torna-se claro que o protagonismo de Brad Pitt no papel do cowboy serial killer acaba por ser superado pelas diferentes matizes a que a prestação de Casey Affleck foi sujeita, no filme do neo-zelandês Andrew Dominik, para descrever o percurso do carente Robert Ford até assassinar, pelas costas, o homem que há muito admirava. Tal como Ford viveu na sombra de James, também Casey deixa, com este trabalho, de ser apenas conhecido como o irmão de Ben Affleck.
O filme segue, em ritmo lento (lento demais?), o romance de Ron Hansen, que narra o derradeiro golpe do gang de Jesse James e mostra também a interioridade de um pistoleiro a lutar contra as feridas não saradas e a aguardar o seu fim.
Será já com a vida refeita ao lado da mulher, Zee (Mary Louise Parker), e dos dois filhos, que essa fatalidade acontece. A que James assiste, resignado, através do reflexo do espelho. É aí que acaba o mito e começa a lenda, após um curto período em que seguimos o período em que Robert Ford goza os louros de ter sido o homem que matou Jesse James. Seguramente um western diferente, atípico, mas que se solidifica com o tempo.
WOODY ALLEN EM LONDRES
O realizador, actor e argumentista norte-americano Woody Allen prossegue o seu enamoramento com a Europa regressando uma vez mais a Londres, desta vez para captar o ambiente negro – e naturalmente pleno de ironia – com ecos dos mandamentos de Dostoievsky.
Em ‘Cassandra’s Dream’, apresentado extra-competição, Ewan McGregor e Colin Farrell são dois irmãos que acabam por ser ludibriados por uma mulher (uma revelação chamada Hayley Atwell) para efectuar um crime e a suportar, posteriormente, o inevitável castigo.
"NÃO TENHO O NECESSÁRIO PARA SER REALIZADOR": Brad Pitt, actor, falou do novo filme e confessou-se “mais eficiente”
Correio da Manhã – Que memória guarda da personagem ‘Jesse James’?
Brad Pitt – Não tinha uma grande memória, a não ser o lado de Robin dos Bosques. Só com o livro do Ron Hansen fiquei a conhecer o derradeiro ano da vida de ‘Jesse James’.
– Tem-se revelado um grande produtor e é um óptimo actor. Para quando a realização?
– Não tenho o necessário para ser realizador. Há pessoas muito mais habilitadas do que eu. No entanto, tenho muito orgulho em poder contribuir no lado da produção, mas também aí tenho tido muita ajuda…
– Encara a atracção de Robert Ford a ‘Jesse James’ como uma relação homoerótica?
– Acho que é mais complexa. Pessoalmente, vejo o Robert Ford como uma pessoa à procura de aceitação, de fama.
– Acha que o filme se pode considerar um verdadeiro western?
– Já lhe chamaram um filmes de gangsters, que me parece até mais adequada.
– Recebeu quatro crianças na sua vida e num curto período de tempo. De que forma é que isso o mudou como pessoa?
– Tornei-me muito mais eficiente. O maior prazer que tenho vive paredes-meias com a maior confusão. Adoro a experiência e quando finalmente tenho tempo para trabalhar, sou mais eficiente. Agora o sono é algo que não existe…
UM DRAMA SOCIAL
Durante a entrevista concedida ao Correio da Manhã, o cineasta britânico Ken Loach, acompanhado pelo argumentista Paul Valery, explanou, de forma clara, a maneira como o governo britânico se aproveita da mão-de-obra barata dos emigrantes que desfilam no seu pungente drama social ‘It’s a Free World’. “A ideia peregrina de Tony Blair de abrir a portas à emigração apenas teve como consequência o pagamento de salários de miséria, permitindo, assim, não gerar inflação e aumentar os preços dos bens de primeira necessidade. Isso é pura demagogia”, declarou. Quando confrontado com a realidade portuguesa, nomeadamente com a crescente imigração ucraniana, Loach confirmou: “É por isso que os governos podem ter ideias tão samaritanas. Mas os intentos são puramente de benefício económico.”
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