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Correio da Manhã

Cultura
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Cavalo em noite de arte e beleza (COM VÍDEO)

O Campo Pequeno recebe no próximo sábado, dia 5, uma gala única que promete encantar os amantes da arte equestre e não só. A Escola Portuguesa de Arte Equestre, a École Nationale (França) e a Real Escuela Andaluza del Arte Ecuestre (Espanha) juntam-se pela primeira vez na praça lisboeta para um espectáculo de tradição, emoção e brilho, que eleva a arte e a beleza do cavalo lusitano.
2 de Novembro de 2011 às 01:00
A capriola é um dos saltos mais característicos da escola, mas o sucesso obriga a treinos diários com o cavaleiro
A capriola é um dos saltos mais característicos da escola, mas o sucesso obriga a treinos diários com o cavaleiro FOTO: Sérgio Lemos

 

"Vai ser um espectáculo bastante bonito, com muita cor", começa por relatar ao CM Filipe Graciosa, director da Escola Portuguesa de Arte Equestre. Cada entidade irá apresentar os seus números característicos, mas vão também juntar-se na arena para exercícios em conjunto. "Há alguma tendência para a comparação, mas nós não queremos comparação nenhuma, queremos fazer um espectáculo artístico de amizade", assegura o director da escola portuguesa.

Durante 90 minutos, os espectadores vão poder apreciar 50 cavalos em pista, que alternam entre números solistas e em conjunto. A levada, a capriola e a corveta são apenas alguns dos passos a ver. A escola portuguesa apresenta o típico carrossel, com vários cavalos em pista, e leva também três potros, numa homenagem ao ‘Jacaré', um cavalo que esteve na escola durante 18 anos. "É uma coisa que as pessoas gostam de ver", garante Filipe Graciosa.

As três escolas vão também apresentar números "em que há 15 ou 20 cavaleiros dentro da arena ao mesmo tempo". Para que tudo corra bem, os participantes iniciam a preparação dos exercícios com "esquemas dos espectáculos". "Treinamos no papel a ordem dos números, e depois também há uma técnica nisto", explica. Os cavaleiros não são poupados e "têm treinos todos os dias".

Os cavalos da escola francesa chegam ao hipódromo do Campo Grande já hoje, transportados em camiões equipados com boxes especiais, que garantem o conforto dos animais. Amanhã é a vez da escola espanhola.

A repetição do concerto dos Gipsy Kings no Campo Pequeno não causou transtorno à organização. Paulo Pereira, relações--públicas do espaço, garante ao CM que estão reunidas todas as "condições técnicas" e que a "gala não vai perder nada". Os cavalos chegam à praça na véspera do espectáculo, dia em que está marcado o primeiro ensaio em conjunto das três escolas.

CAVALOS LUSOS NOS JOGOS OLÍMPICOS

A arte equestre não se resume apenas ao treino para espectáculos hípicos. A Escola Portuguesa aprofunda também a vertente desportiva, com animais nas provas mundiais, como os Jogos Olímpicos.

Com sete cavalos lusitanos presentes nos últimos Jogos, a escola já tem ‘Rubi' apurado para a prova de Londres no próximo ano. O animal foi campeão nacional em 2010 e venceu recentemente o concurso de Dréssage Internacional, em Biarritz, França.

DISCURSO DIRECTO

"AS PESSOAS VÃO GOSTAR", Filipe Graciosa, Director da Escola de Arte Equestre 

Correio da Manhã - Como surgiu a ideia da gala?

Filipe Graciosa - Já tínhamos pensado algumas vezes. As escolas têm boas relações. É uma sala de espectáculo bonita.

- Como é o treino?

-Já trabalhámos em conjunto muitas vezes, até temos feito intercâmbio. Conhecemos os esquemas dos espectáculos, treinamos no papel a ordem e depois há uma técnica.

- É um espectáculo para que tipo de público?

- É muito variado. Mesmo as pessoas que não são ligadas aos cavalos vão gostar.

- Quais as melhores qualidades do cavalo lusitano?

- É de boa qualidade, pela antiguidade, selecção e coragem. É colaborante e tem movimentos elegantes e brilhantes.

TREINOS EM PICADEIRO ABERTO À CHUVA

Cavaleiros e cavalos treinam todos os dias os passos da melhor arte equestre portuguesa . Instalada junto ao Palácio de Queluz, a escola dispõe apenas de um picadeiro aberto, o que no Inverno dificulta a actividade de treino. 

"PREPARAR PISO CRIA BASTANTES DESPESAS"

A preferência pela Praça do Campo Pequeno para a realização da gala não foi por acaso. A beleza e a tradição da sala, ligada à arte equestre e do toureio, associaram-se à poupança dos custos de organização do espaço, que assume uma componente importante em tempos de austeridade.

"A escolha do Campo Pequeno ficou a dever-se ao facto de a sala estar montada. Preparar o piso cria bastantes despesas, é uma parte que sobrecarrega muito as organizações", esclarece Filipe Graciosa, sublinhando o facto de ser uma "sala muito bonita".

A única dificuldade criada às escolas prende-se com a dimensão da arena, que tem 38 metros de diâmetro, mais pequena do que o picadeiro da escola nacional. "Costumamos fazer o carrossel com dez cavalos, mas lá temos de fazer com seis", adianta o director . "Fazemos alguns exercícios que adaptamos a este círculo. Consegue-se dar a volta", garante.

Os cavalos das escolas francesa e espanhola vão ficar instalados juntos à praça em boxes próprias, que garantem todo o conforto aos animais durante o tempo dos ensaios e do espectáculo.

ÉCOLE NATIONALE APRESENTA A 'BELLE ÉPOQUE'

A tradição dos antigos oficiais franceses influencia ainda, nos tempos actuais, a École Nationale, criada em 1972 e instalada na cidade de Saumur. Um dos números hípicos mais característicos é a ‘Belle Époque', um exercício que começa com champanhe e termina ao desafio. 

BAILADO ANDALUZ É SELO DA ESCOLA ESPANHOLA

A Real Escuela Andaluz de Arte Ecuestre, fundada em 1973 e instalada em Jerez de la Frontera, é mundialmente conhecida pelo espectáculo ‘Como Bailan los Caballos Andaluces'. Os cavaleiros apresentam trajes mais campestres e o corpo hípico assemelha-se mais ao cavalo da escola portuguesa. 

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