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Correio da Manhã

Cultura

CCB vai ter ano "extremamente difícil"

O presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, revelou esta sexta-feira que a instituição "tem uma situação financeira equilibrada", mas vai enfrentar um ano "extremamente difícil" dada a conjuntura económica do país.
24 de Fevereiro de 2012 às 19:33
Vasco Graça Moura aceitou suceder a Mega Ferreira
Vasco Graça Moura aceitou suceder a Mega Ferreira FOTO: D.R.

Um mês após ter sido nomeado para liderar o CCB, em Lisboa, substituindo António Mega Ferreira, Graça Moura disse à Lusa que "é preciso jogar com enorme prudência" na construção da programação do próximo triénio, até 2015.

"Foi importante para mim saber que a situação financeira do CCB é equilibrada. Mas todas as análises das situações baseiam-se no passado, e estamos a viver num momento extremamente difícil, em que as empresas recorrem menos aos nossos serviços e em que os mecenas estão a recuar", indicou.

Precisou que o orçamento global do CCB ronda os 13 milhões de euros em 2012. "Uma parte são custos fixos, outra é para a programação, e outra para o Museu Berardo. O que temos de tentar fazer é reforçar as componentes de receita que vêm da exploração dos espaços, das lojas, e da bilheteira. Têm de ser cuidadamente analisados e acionados porque situação é difícil efectivamente", reiterou.

Sobre a possibilidade de fazer parcerias - como muitas entidades estão a optar - Vasco Graça Moura não o coloca de parte: "Estamos a entrar num ano muito difícil, a crise é geral, e vai ser preciso olhar as coisas com um método de grande economia de meios. Todas as parcerias têm de conjugar esse sentido da escassez."

Questionado sobre a evolução do público do CCB nos últimos anos, o presidente da entidade indicou que "tem aumentado ligeiramente, em média, e pode-se considerar que é estável, mas há áreas em que tem descido muito".

No entanto, não quis adiantar as áreas em que esse decréscimo é notório: "Ainda não tenho conclusões seguras nessa matéria, mas noto em informações quantitativas em que é sensível. Mas há que ver outros aspectos, para poder dar uma opinião."

 


Em relação à conclusão do projecto do CCB, que previa a criação de mais dois módulos, o 4 e o 5 - este último ocupado por um hotel - nunca concretizados, Vasco Graça Moura disse que ainda não é possível avançar. "Há uma regularização pendente entre a Câmara de Lisboa e o Estado quanto à titularidade de alguns terrenos, e não se pode avançar sem estar resolvido esse direito, para negociar com os interessados", indicou.

Sobre a situação do Museu Colecção Berardo, instalado desde 2007 no CCB, após um acordo de cedência de obras de arte entre o coleccionador e o Estado, Vasco Graça Moura disse que a política que vai seguir "é de boas maneiras e cortesia".

"Já visitei o museu com o comendador Berardo e mantemos uma boa colaboração enquanto o museu estiver instalado no CCB", afirmou.

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