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Correio da Manhã

Cultura
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Cem e sem menos verdade tem

Na lista dos 100 portugueses parece incrível que a Tauromaquia tenha sido marginalizada.
17 de Janeiro de 2007 às 00:00
Não vem ao caso quem teve a ideia nem quem a promoveu. Importa, isso sim, compreender o desenvolvimento do processo que conduziu (ou conduzirá) a tal elite histórica dos 100 mais...
Como disse há dias o professor Hermano Saraiva, sempre seria muitíssimo difícil escolher uma selecção que agradasse a gregos e troianos, porque 100 é uma percentagem reduzida nos séculos da nossa História de Portugal.
As riquezas dos caminhos lusitanos por entre homens e mulheres do Mundo inteiro nem sempre foram devidamente compreendidas pelas sociedades, mas foram expressão correspondente aos elevados valores humanos que as conquistaram. Um pouco por todo o planeta, a gente lusa soube ser e estar, nas mais diversas circunstâncias.
Mas os tais tão propalados 100, sem qualquer nome da nossa Tauromaquia, são um atentado à verdade cultural popular que todos deviam conhecer, independentemente dos gostos.
Ao analisarmos a lista dos tais 100 portugueses, não queremos acreditar! Porque, sejam quais forem as comparações temáticas, e até também por isso, parece incrível que a Tauromaquia tenha sido marginalizada.
Nomes? João Branco Núncio, D iamantino Vizeu e Manuel dos Santos tinham de merecer atenção. Pelo menos Núncio e Manuel, pelo desempenho, expressão, respeito e simpatia que tiveram em Portugal e no estrangeiro, onde sempre se cantou (de encanto feito) o nosso país. Como nos últimos 20 anos, com João Moura e Vítor Mendes!
Não terá acontecido, seguramente, com todos os outros, sobretudo com nomes da Política e do Desporto. Mas os artistas tauromáquicos nacionais (cavaleiros e matadores de toiros) têm ao longo dos anos (e também com alguns forcados) prestigiado Portugal além-fronteiras. Quando actuam, mais do que os seus nomes, grita-se que é “el português” ou “le portugais”, para não referir outros idiomas presentes. São, verdadeiramente, consensuais diante de milhões de pessoas (nas praças e nas televisões). Elevam o País e o País tem de se orgulhar dos seus nomes e dos seus feitos!
Por esse Mundo fora, a Imprensa escrita, radiofónica e televisiva tem divulgado as actuações dos toureiros portugueses de uma forma inequi-vocamente de prestígio. Se falarmos de João Núncio, seus pares anteriores e posteriores, recuamos no tempo até quase há 100 anos; se falarmos de Diamatino Vizeu, Manuel dos Santos e outros mais, reportamo-nos a um período que teve início em 1942 com Augusto Gomes Júnior que foi o primeiro toureiro português, a pé, além-estrangeiros.
100, sem nomes da Tauromaquia portuguesa, é jogo sem verdade inteira que põe em causa, perigosamente, a importância e a razão de certos votos...
RUI FERNANDES
Tem somado sonantes triunfos na Colômbia, com saídas em ombros por entre o delírio das multidões. A promoção escreve em milhares de postais que o cavaleiro português “quer conquistar a América”...
ENRIQUE PONCE
Matador de referência à escala mundial, concedeu uma entrevistas à revista ‘Ruedo Ibérico’ a ser publicada na próxima edição. Ponce, dentro e fora das arenas, é um exemplo de aficion e senhorio.
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