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Correio da Manhã

Cultura
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Centro Dramático de Évora com dois meses e meio de ordenados em atraso

O Centro Dramático de Évora (CENDREV) atravessa uma situação financeira "delicada e complicada", com os cerca de 20 funcionários com dois meses e meio de ordenados em atraso, revelou esta quinta-feira o director da companhia profissional de teatro.
6 de Outubro de 2011 às 18:34
Centro Dramático de Évora acusa Câmara de se atrasar no pagamento dos apoios financeiros
Centro Dramático de Évora acusa Câmara de se atrasar no pagamento dos apoios financeiros FOTO: Alexandre M. Silva

"O CENDREV passa, nesta altura, por uma situação muito delicada e complicada. Estamos com dois meses e meio de salários em atraso", disse o director da companhia alentejana, José Russo, em declarações à agência Lusa.  

De acordo com o mesmo responsável, as dificuldades do CENDREV devem-se ao atraso do pagamento dos apoios financeiros da Câmara de Évora, referentes aos anos de 2009, 2010 e 2011, em cerca de 130 mil euros.

A falta de pagamento de um acerto de 24 mil euros por parte do Governo, depois das cativações de 23 por cento do apoio contratualizado com o anterior Executivo, é outro dos motivos dos problemas de tesouraria da companhia, segundo José Russo.  

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Évora, o socialista José Ernesto Oliveira, disse compreender os problemas financeiros do CENDREV, mas recusou qualquer responsabilidade do município perante as dificuldades da companhia alentejana.  

"Temos feito um grande esforço para minorar essa situação difícil e, ainda esta semana, o CENDREV levou mais um contributo importante de 10 mil euros, no âmbito daquilo que está concertado entre a câmara e a companhia", afirmou.  

Contudo, o autarca frisou que os subsídios atribuídos pela câmara "são orientados para o apoio à produção da companhia e não para o pagamento de salários", alegando que "essa não é uma responsabilidade do município". 

José Ernesto Oliveira negou ainda que a dívida da câmara ao CENDREV seja de 130 mil euros, explicando que "o que falta pagar é o que está no orçamento [da câmara] de 2009 e 2011", já que "em 2010 não houve condições para pagar subsídios sob o ponto de vista regulamentar".  

Para segunda-feira, às 17h30, junto ao Teatro Garcia de Resende, onde o CENDREV está sedeado, está prevista a iniciativa ‘Conversar Com a Cidade", com o objectivo de discutir a situação actual da companhia e perspectivar o seu futuro.  

"A comunidade em que estamos inseridos também tem o direito de saber o que aqui se passa, porque o CENDREV é um projecto que cumpre uma função de serviço público e, nessa medida, o interesse de salvaguardar este tipo de projectos é dos cidadãos e do público em geral", afirmou José Russo.

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