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Correio da Manhã

Cultura

Cheiro aos anos 60

A ressureição dos The Doors levou sábado ao Coliseu de Lisboa uma multidão entusiasta, mas, mais do que o concerto, a noite foi uma jornada de transgressão conduzida pela geração ‘sixtie’.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
Na verdade, há muito que um concerto não suscitava tamanha excitação e antes ainda da entrada da banda em cena já a multidão entoava “The Doors” em coro. Um aquecimento para o que se seguiu, logo que os agora denominados Riders on the Storm pisaram o palco.
Com o Coliseu ‘à pinha’, a geração ‘sixtie’– muitos acompanhados da família e filhos menores – fez valer os seus valores: mandou as regras às urtigas e fez do concerto uma ‘flower party’. “Proibido fumar? Isso é que era bom”, lançou, na compacta plateia, um anafado quarentão, antes de chegar mecha a um “charuto dos antigos”. De facto, fumou-se e muito, o aroma de ervas impregnou o ar e até as bebidas vetadas no interior circularam “na boa”. Aquela era uma noite ‘à anos 60’, transgressora por natureza e com a música dos The Doors como banda sonora. Do outro lado, Manzarek e Krieger (os membros sobreviventes da formação) alimentaram a cultura do contra. Antes de ‘Five to One’, Manzarek mandou-se a Bush, criticou a guerra no Iraque e recuperou o slogan ‘Make Love not War”.
Ian Astbury, por seu lado, foi um clone quase perfeito de Jim Morrison, mas o concerto esteve longe de ser perfeito. Kriger (guitarra) foi quem mais falhou, mas Manzarek também não está isento de culpas na prestação mediana que só o elevado (mas limpo) volume sonoro disfarçou. Ainda assim, salvaram-se temas como ‘Roadhouse Blues’, ‘Alabama Song’, ‘Spanish Caravan’, ‘L.A. Woman’ e ‘Light My Fire’, este já em ‘encore’.
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