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Correio da Manhã

Cultura
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COLDPLAY: PAIXÃO É A PALAVRA QUE MELHOR NOS DEFINE

Pela segunda vez em Portugal os Coldplay falaram ao CM pela voz do seu baterista Guy Berryman. Horas antes do espectáculo no Atlântico, o músico recordou a primeira passagem por cá e falou do fenómeno... até ver.
10 de Abril de 2003 às 00:00
COLDPLAY: PAIXÃO É A PALAVRA QUE MELHOR NOS DEFINE
COLDPLAY: PAIXÃO É A PALAVRA QUE MELHOR NOS DEFINE FOTO: Direitos Reservados
Correio da Manhã - Esta é a segunda vez que vêm a Portugal. Tocaram em 2000 no Festival Paredes de Coura quando ainda poucos os conheciam. Dois anos volvidos conseguem encher um pavilhão com 17 mil pessoas. É estranho esta fama repentina?
Guy Berryman - Sim, é muito estranho, mas é fantástico tudo o que aconteceu connosco nestes dois últimos anos. É verdade que em 2000 ainda não éramos muito conhecidos por cá, mas recordo-me que tivemos uma grande noite, num sítio lindo. Hoje sabemos que Portugal gosta da nossa música e isso dá-nos muita força.
- Acham que estes espaços grandes são os mais adequados para a vossa música?
- É sempre um desafio. Preferimos estes sítios. Já temos dado espectáculos em locais pequenos que não resultam tão bem.
- Vocês costumam dizer que cada álbum vosso é escrito segundo a ideia de que “cada dia pode ser o último”. É por isso que a vossa música é tão triste?
- A nossa música tem um bocadinho de tristeza mas não só. Acho que é também muito realista. Mas de uma forma geral não pensamos naquilo que fazemos em termos de conceitos. O que é importante é fazermos boas canções...
- Mas é quase consensual as pessoas considerarem a vossa música um pouco cinzenta e até depressiva. Entendem isso?
- Sim, compreendo, mas acho que quem assistir a um concerto nosso vê mais do que isso.
- Está a referir-se ao último álbum que é notoriamente mais optimista?
- Sim, de facto “A Rush Of Blood to the Head” é mais positivo. Acho que estávamos mais confiantes quando o fizemos. As próprias canções têm mais ritmo.
- No disco há um tema chamado “Politik” em que vocês cantam “Give me real, don’t give me fake” que parece encaixar na perfeição nos tempos que correm. É importante passar este tipo de mensagem em altura de guerra?
- Todos sabem que esta guerra é um jogo para os americanos. Tem a ver com dinheiro, petróleo e poder. Esta canção em concreto fala sobre aquilo em que acreditamos, sobre a importância de acreditar em alguma coisa. Essa é a mensagem que passamos.
- E em que é que os Coldplay acreditam neste momento?
- Acreditamos no nosso trabalho, naquilo que fazemos e como disseste há pouco acreditamos que cada dia pode ser o último das nossas vidas.
- Neste momento são considerados uma das maiores bandas do Reino Unido. Como é que lidam com este título?
- Para mim é fácil. As pessoas não conhecem a minha cara. É raro ser abordado na rua. Nunca penso na fama. Aquilo que quero é continuar a tocar com os meus amigos da mesma maneira que o fazia há cinco anos.
- Uma das palavras que mais se ouve a vosso respeito é “honestidade”. Afinal o que é que isso quer dizer em termos de música?
- É essencial acreditar na música que se toca e canta. Caso contrário não se pode chegar a lado nenhum. Há muitas bandas pop que não compreendem isso e apenas cantam aquilo que lhes é dado para cantar. Tem tudo a ver com alma.
- E que outras palavras se podem usar para vos definir?
- Paixão, trabalho, dedicação..., mas acho que a paixão é mesmo a mais importante.
- Neste momento têm dois prémios Brit e dois Grammy. Que importância lhes dão?
- Nenhuma em especial. Faz-nos sentir bem, mas não têm implicação nenhuma no nosso trabalho. Aliás, sou contra o facto de se transformar a música numa competição. É muito perigoso. Por isso estamos cheios de bandas horríveis.
- Vocês aderiram à campanha “Future Forest”, à semelhança dos Simply Red, dos Massive Attack e Mel C. Por cada disco vendido, plantam uma árvore. Como é que está a correr?
- Muito bem. Já plantámos dez mil mangueiras na Índia.
- Geralmente é difícil repetir, ao segundo disco, o sucesso do primeiro. Vocês fizeram melhor. Como será agora o terceiro?
- Não nos preocupamos muito com isso. Aliás, já temos algumas canções e acho que são as mais ambiciosas que alguma vez fizemos. Estamos ansiosos por tocá-las. Mas neste momento estamos numa digressão que só acaba em Setembro. Depois disso é que vamos para estúdio. Novo disco sai no início do próximo ano.
PERFIL
Formados em 1998, os Coldplay não precisaram de muito tempo para saltar dos “pubs” londrinos para os grandes espaços. Tudo por causa de um álbum chamado “Parachutes”, um disco cujo título, curiosamente, em nada fazia jus ao grupo. Nenhum deles caiu no meio da música de pára-quedas. Influenciados por nomes como Bob Dylan, Stone Roses, Neil Young e My Bloody Valentine, os Coldplay começaram por ser comparados aos Travis, mas depressa provaram ser mais do que uma simples banda pop. “A Rush of Blood to the Head”, o segundo trabalho, superou as vendas do primeiro e confirmou o que se suspeitava: os Coldplay não são uma banda qualquer. E já lá vão 11 mil cópias vendidas.
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