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Correio da Manhã

Cultura
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COLISEU FAZ 109 ANOS

O Coliseu Figueirense, na Figueira da Foz, celebra hoje 109 anos de existência, mais de um século de história, de estórias e de grandes faenas. A tradição tauromáquica figueirense começou na antiga rua dos Curros (hoje de ‘O Figueirense’), onde se fizeram as primeiras touradas, com carros de bois, carroças, tábuas e tranqueiras.
25 de Agosto de 2004 às 00:00
A população aderiu ao espectáculo da festa brava, levando a Santa Casa da Misericórdia a construir, em 1850, uma praça de toiros frente ao Convento de Santo António.
Mas como o espaço não correspondia aos anseios então gerados, João Antunes Pereira das Neves, médico e aficionado, e Aníbal Augusto de Melo tomaram nas suas mãos o projecto da construção de um touril, decidindo-se a 23 de Março de 1895 a fundação da Companhia do Coliseu Figueirense. As expectativas eram enormes e a obra nasceu no tempo recorde de cinco meses.
A primeira corrida de toiros realizou-se a 25 de Agosto perante seis mil pessoas que vibraram com a actuação do afamado cavaleiro Alfredo Tinoco da Silva. A partir daí, as corridas transformaram a Figueira que viveu grandes tardes e noites de ‘aficion’ e viu as suas ruas encherem-se de bonitas sevilhanas e cavalheiros com flor na lapela.
Cumprindo os objectivos a que se propôs, ao longo dos tempos, o Coliseu Figueirense atraiu grandes nomes do toureio e alargou o seu leque de serviços ao acolher também espectáculos musicais.
Na última corrida da actual temporada, realizada no sábado, a Companhia do Coliseu Figueirense descerrou placas de homenagem às duas colectividades que têm, musicalmente, abrilhantado as corridas que ali decorrem: as sociedades Filarmónica Figueirense e Dez de Agosto.
Com presença activa desde 1895, a Filarmónica Figueirense interpretou ‘pasodoble toureros’ para nomes como Ricardo Chibanga e Joaquim Bastinhas, que até lhe dedicaram faenas.
Quanto à Dez de Agosto tem um largo palmarés em que se destaca uma corrida em Salamanca onde o matador Mazzantini triunfou, oferecendo a estocada afinal e a orelha do toiro aos seus músicos.
CUIDOU DE METADE DA VIDA DO REDONDEL
Ilídio Oliveira cuida do Coliseu Figueirense há 50 anos e é o responsável para que nada falhe sempre que o redondel recebe um espectáculo. Figueirense de gema, nasceu a 19 de Setembro de 1934. É casado, tem um filho e uma filha, e o sogro, José Cravo Lopes Grázio, foi guarda do Coliseu antes de si.
Tem como função a realização dos pequenos trabalhos de pedreiro, pintor, carpinteiro, arranjos gerais, cuidando também do piso e de toda a estrutura do redondel. Ainda que haja um responsável pela energia eléctrica, assegura que o gerador de emergência está sempre operacional. Trata ainda da entrada no touril dos toiros e cavalos. “Muitas vezes chegam às duas e três da manhã, e eu tenho de estar sempre aqui”, explica ao CM. Noutros tempos, “vinham à Figueira muitos espanhóis, isto era como que uma colónia para eles. As sevilhanas enchiam a praça e saiam daqui em braços”, recorda este profundo conhecedor dos bastidores do mundo tauromáquico, que já visitou todas as praças do País e algumas do estrangeiro. Mas a da Figueira da Foz “é das mais bonitas”. Ilídio Oliveira lembra que, nos anos 50, os toiros eram levados para a Figueira a pé, por campinos, que faziam o percurso de Santo Varão (Alfarelos). Repousavam num descampado perto dos Quatro caminhos (Tavarede) e depois davam entrada no touril. E eram mortos dentro do Coliseu. “Agora tudo está diferente. É pena...”, lamenta.
O FUTURO
MELHORAMENTOS
Com a intenção de proceder a obras de remodelação do edifício, a direcção presidida por Miguel Amaral avançou já com o pedido de licenciamento camarário. Num futuro próximo, Miguel Amaral espera poder “concretizar um sonho: a cobertura integral de todo o edifício”.
INTERESSE MUNICIPAL
A Companhia aguarda ainda a decisão camarária ao pedido de classificação do edifício como “imóvel de interesse municipal”, mas Duarte Silva, o edil, adiantou que irá propor ao IPAAR “uma classificação superior”.
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