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Correio da Manhã

Cultura
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Colombo está em Sevilha

Chegou ao fim uma polémica que se arrastava há séculos: Cristóvão Colombo (1451-1506) está sepultado na Catedral de Sevilha. Esta é a conclusão do estudo ao ADN do navegador realizado pelo especialista em genética José Antonio Lorente, que lidera a mesma equipa que pretende exumar os restos de D. Afonso Henriques.
2 de Agosto de 2006 às 00:00
Na Catedral de Sevilha encontra-se a caixa que contém as ossadas
Na Catedral de Sevilha encontra-se a caixa que contém as ossadas FOTO: Emilio Morenatti/EPA
“Os ossos que estão em Sevilha são de Cristóvão Colombo”, confirmou o especialista, director do Laboratório de Identificação Genética da Universidade de Granada (Espanha), cujo estudo põe fim a uma polémica que se arrastava há séculos.
De acordo com Lorente, não são necessários outros dados para afirmar que as ossadas de Sevilha pertencem a Colombo, falecido em Maio de 1506 e faz amanhã 514 anos saiu do Porto de Palos, perto de Huelva, em viagem que o levaria a descobrir a América.
Quanto aos ossos depositados em Santo Domingo (República Dominicana), o especialista referiu que uma análise ao ADN “permitiria completar a história” sobre o local da sepultura do navegador. No entanto, a falta de autorização por parte das autoridades locais em nada vai influenciar as conclusões do estudo agora divulgado.
Aliás, a equipa de especialistas italianos, espanhóis. alemães e norte-americanos liderada por Lorente continua à espera que as autoridades dominicanas autorizem o estudo das ossadas achadas, em 1877, num caixão de chumbo enterrado por detrás do altar de Santo Domingo. Uma descoberta que deu origem à incógnita em volta do local exacto da sepultura de Colombo.
Para realizar este estudo, os especialistas retiraram uma amostra do ADN mitocondrial – material genético que todo nós herdamos da mãe – dos únicos restos conhecidos do irmão e do filho de Colombo e comparou-os com as ossadas do navegador. O estudo implicou a exumação, em Maio de 2003, dos restos mortais de Colombo e do filho Fernando (sepultados na Catedral de Sevilha) e do irmão Diego, enterrado em La Cartuja-Pickman.
“Nos fragmentos do ADN mitocondrial de Diego Colón foi possível analisarmos, numa zona chamada HV1 e noutra referenciada como HV2, que existe uma identidade absoluta própria de uma relação maternofilial, ou seja, que são irmãos”, disse Lorente, voltando a repetir o que anunciara em Março último.
Este tipo de teste é o mesmo que a investigadora portuguesa Eugénia Cunha quer realizar no túmulo do primeiro rei de Portugal, para traçar um perfil biológico do monarca: estatura, robustez e idade. A exumação está à esperar de autorização do Ministério da Cultura.
CASA-MUSEU GUARDA VIVÊNCIA DO NAVEGADOR EM PORTO SANTO
A casa onde Cristóvão Colombo viveu é a maior atracção cultural e turística da Vila Baleira, em Porto Santo (Madeira). Agora transformada em museu etnográfico, apresenta-se num conjunto de dois edifícios, dos quais o mais antigo remonta à época em que o navegador esteve na ilha.
Nesta casa, Colombo viveu com a mulher, Filipa Perestrello e Moniz, filha de Bartolomeu Perestrello, um dos primeiros povoadores da ilha da Madeira. Após a morte prematura da mulher, em 1485, o navegador abandonou a ilha, vivendo, posteriormente, em Espanha. Completamente restaurado, o museu reúne mobiliário da época, retratos de Colombo (dos séculos XVI/XX), reproduções dos trajes daquele tempo, manuscritos e mapas com as diferentes rotas percorridas pelo navegador.
Localizado atrás da Igreja Matriz, o espaço funciona em Julho e Agosto, de terça-feira a sábado, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 19h00, aos domingos, das 10h00 às 13h00. De Outubro a Junho, o horário da tarde de terça-feira a sábado passa para as 14h00 e as 17h30.
'NÃO ACREDITO NO ADN'
As conclusões do estudo do especialista espanhol José Antonio Lorente não convencem o historiador português, José Hermano Saraiva. “Não acredito no ADN. Nada disso tem qualquer viabilidade”, referiu ao CM o historiador, acrescentando: “Tudo é uma lenda. É completamente impossível... Não existe maneira de identificar” se as ossadas que se encontram na Catedral de Sevilha pertencem, deveras, a Cristóvão Colombo, navegador que descobriu a América e não a Índia, como era seu desejo. Aliás, o facto de não ter alcançado este objectivo ‘roubou-lhe’ a fama.
“Colombo não morreu em glória”, comentou Hermano Saraiva, para quem o local da sepultura é desconhecido: “Não se sabe onde Colombo morreu. Portanto, o corpo pode ter sido enterrado em qualquer lugar”.
OS DADOS
ORIGENS INCERTAS
As origens e o lugar de nascimento de Colombo permanecem um mistério. Alguns historiadores afirmam que nasceu na cidade italiana de Génova, outros defendem que era português, catalão ou galego. Sabe-se que, em 1477, vivia em Lisboa e que, em 1479, se casou com a madeirense Filipa Perestrello e Moniz.
RESTOS MORTAIS
Em 1506, Colombo morreu em Valladolid (Espanha). Por vontade expressa em testamento, os restos mortais foram trasladados, em 1544, para Santo Domingo, República Dominicana. Quando, em 1795, os espanhóis deixaram o país, levaram as ossadas para Cuba, de onde estes foram repatriados para Espanha (1898). Segundo os dominicanos, parte dos ossos nunca saiu do país. Hoje, o alegado local da sepultura é uma das maiores atracções turísticas da República Dominicana.
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