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Correio da Manhã

Cultura
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Com pouco sumo

A passagem do Scapino Ballet de Roterdão pelo Festival de Sintra era esperada com curiosidade já que se trata de uma companhia com um trajecto curioso na dança holandesa do séc. XX.
25 de Junho de 2006 às 00:00
A companhia Scapino Ballet passou por Sintra este fim-de-semana
A companhia Scapino Ballet passou por Sintra este fim-de-semana FOTO: d.r.
Tendo partido de um projecto orientado para jovens e com cariz pedagógico, o grupo evoluiu para uma companhia de ‘repertório’ e, hoje, também, de ‘autor’. Em Sintra, apresentou seis peças, três da quais de Ed Wubbe, o actual director, protagonizadas por bailarinos bem apetrechados tecnicamente. Os artistas percorreram um repertório diversificado, desde a exaltação de uma ‘Paixão’ de Bach – cujos movimentos nos podiam levar a uma ‘Sagração da Primavera’ masculina em cima de um tapete relvado – até uma espécie de ‘Riverdance’ pós-moderno com homens e mulheres de saias e casacos (‘Wilsonian’). A terceira peça de Wubb, ‘Sister Fury’, também com Bach e em pontas, foi dançada com brio por seis intérpretes e apresentou um belíssimo esquema cenográfico em que dois painéis rotativos recebiam continuamente projecções por cima dos bailarinos.
As restantes peças (‘Affi’, de Marco Goecke, ‘Geekspeak’, de Stephen Shropshire e ‘Fo(4)r’, de Georg Reischl) percorreram vários estilos, entre o frenesim solitário e a contínua interacção de quatro corpos, passando pelo humor urbano e informático, demonstrando um apelo (fatal) da forma em detrimento do conteúdo.
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