Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
2

Concerto solidário pelo Iémen em Lisboa causa polémica

Espetáculo angariou 3 mil euros para os Médicos Sem Fronteiras mas custou 16 mil.
Sónia Dias 25 de Outubro de 2020 às 09:33
Sara  Tavares foi uma das artistas convidadas para participar no  Estamos Aqui, Iémen
Sara Tavares foi uma das artistas convidadas para participar no Estamos Aqui, Iémen FOTO: Direitos Reservados
O concerto Juntos pelo Iémen, realizado a 12 de setembro no Capitólio, em Lisboa (e que vai ser transmitido pela RTP), custou 16 760 euros à Câmara Municipal de Lisboa (CML), mas só conseguiu angariar 3 238 euros para os Médicos Sem Fronteiras, através da venda de ingressos e recolha de donativos, segundo informou a própria ONG à revista ‘Sábado’.

O concerto, organizado por Cláudia Semedo, que além de atriz e apresentadora no Canal Panda é diretora do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Lisboa, teve por objetivo chamar a atenção para a crise humanitária que se vive no Iémen e contou com a participação de Carlão, Ana Moura, Dino D’Santiago, Branko, Capicua, Chullage, Márcia, Mayra Andrade, Sara Tavares e Selma Uamusse.

No dia 25 de setembro caiu no Portal Base um pagamento da CML no valor de 10 mil euros a Cláudia Semedo. Contactada, a atriz revelou que o dinheiro diz respeito aos cachês dos artistas – 1 000 euros cada – tendo ela trabalhado ‘pro bono’. A este montante juntam-se 6 760 euros para a produção.

A ‘Sábado’ tentou perceber, junto da atriz, porque não foi publicitado que se tratava de um concerto para ajudar os artistas e porque foi escolhido este cartaz e não outro? "Esses músicos não cobraram cachê, foi-lhes feito o convite com um valor associado", respondeu Cláudia Semedo, acrescentando: "O cachê, dividido entre os músicos que os acompanharam e a percentagem das suas equipas, foi simbólico."
Ver comentários