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Correio da Manhã

Cultura
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Corte de cabelo de Robert Pattinson para Cannes

Antes de partir para Lisboa, o actor Robert Pattinson, o realizador David Cronenberg e o produtor Paulo Branco subiram na sexta-feira as 'marches' para a concorrida sessão de gala de 'Cosmopolis', com emoções ao rubro para um dos mais aguardados filmes da competição.
26 de Maio de 2012 às 13:23
Robert Pattinson e David Cronenberg tiveram uma recepção mista no Festival de Cannes
Robert Pattinson e David Cronenberg tiveram uma recepção mista no Festival de Cannes FOTO: Ian Langsdon/Reuters

Além dos aplausos, e alguns apupos, com que 'Cosmopolis' foi recebido na sessão matinal de imprensa, há que dizer que se trata de um bom filme. Desde logo, muito fiel ao romance de Don DeLillo, originalmente editado em 2003 apesar de parecer mais adequado aos dias de hoje.

Robert Pattinson abandona a sua 'persona' da saga 'Twilight', ainda que não totalmente a condição de vampiro. É que, desta feita, vemo-lo no papel de 'Eric Parker', um tecnocrata financeiro mais empenhado em sugar as probabilidades das divisas estrangeiras. Caprichoso, deseja apenas cortar o cabelo. Isto numa Manhattan congestionada e à beira do colapso financeiro. E até diante uma ameaça velada à vida de Parker.

Dias depois de 'Holy Motors', de Leos Carax, espreitamos de novo o interior de uma limusina. Tal coincidência foi, de resto, recebia com um riso cúmplice pelos presentes. Isto porque ambos os filmes parecem comungar da mesma duvida filosófica: "Para onde vão à noite as limusinas?" O mais curioso é que a resposta é demonstrada em... 'Holy Motors'. Ficam, por isso mesmo, estranhamente ligados.

Neste 'road movie' a passo de caracol testemunhamos os vários encontros de Parker e, inclusive, uma autentica manifestação de indignados, até uma catarse final, plena de significado, ao surgir a misteriosa personagem de Paul Giamatti, de cabeça envolta numa toalha que mais parece um turbante (ou um véu?).

Sim, 'Cosmopolis' é um bom filme. Talvez excessivamente dependente do vibrante texto de DeLillo. Não fica, por isso, menos claustrofóbico. Mesmo, assim, sem perder expectativa para uma eventual Palma de Ouro.

Uma nota apenas para a viagem lenta, e profundamente moral, do russo Sergei Loznitsa, sobre um resistente à ocupação nazi durante a campanha de 1942. Mas é precisamente ao vencer o desafio do tempo que se descobre uma maravilha escondida no nevoeiro de 'In the Fog'.

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