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Correio da Manhã

Cultura
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D. Carlos I recordado

Como explicar aos mais novos o que foi o regicídio, cujo centenário se assinala durante o dia de hoje? José Jorge Letria procurou fazê-lo em ‘O Dia em Que Mataram o Rei’ (Texto Editores), ilustrado por Afonso Cruz, no qual o narrador é um menino de dez anos que estava no terreiro do Paço a 1 de Fevereiro de 1908 quando D. Carlos I e o príncipe D. Luís Filipe foram assassinados.
1 de Fevereiro de 2008 às 00:30
José Jorge Letria é jornalista, poeta, dramaturgo, ficcionista e autor de duas centenas de livros dispersos entre vários géneros. Interessou-se pela literatura infanto-juvenil no final dos anos setenta: “Percebi que não havia muita coisa para crianças. Os meus filhos eram pequenos e foram o público ideal”, comenta. E prossegue: “Tenho uma vocação natural que me tem dado para abordar temas históricos para crianças.”
O escritor está desde já a preparar um livro infanto-juvenil sobre o centenário da implementação da República, que se assinalará a 5 de Outubro de 2010, ao mesmo tempo que finaliza um romance sobre a ida da corte para o Brasil em 1908. “Vai sair na Feira do Livro”, adianta.
Foi em 1973 que o então ex-estudante de Direito (mudou para História) se estreou na literatura com um livro de poesia ‘Mágoas Territoriais’. “Sou essencialmente um poeta com outro género de incursões. O que mais me entusiasma é criar um registo poético mesmo em prosa”, admite, justificando assim por que alguns dos seus livros infantis são compostos por poemas e rimas que agradam à pequenada.
Mas antes dos livros abraçou outra arte: a da música. Cantou em inglês e em português durante anos (até 1983), percorreu o País em digressões como cantor de intervenção ao lado de nomes como Zeca Afonso ou Francisco Fanhais. “Aos 16 anos comecei a fazer música. Na transição para os anos oitenta achei que a minha missão estava completa e andar de um lado para o outro cansava-me.”
Foi também nos anos oitenta que José Jorge Letria se afastou do Partido Comunista: “Comecei a ter muitas dúvidas sobre o futuro histórico do PCP num congresso que houve no Porto em 1985, quando Gorbachev esteve em Portugal.”
Uns anos mais tarde foi eleito como independente para a Câmara Municipal de Cascais, vila onde nasceu, e só depois se filiou no PS. “Hoje não tenho actividade política a não ser a defesa dos direitos dos autores”, diz em tom de brincadeira uma vez que é vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores.
Agraciado com diversos prémios, acredita que os portugueses gostam de ler: “Penso que se lê mais do que há uns anos, mas lê-se muito lixo. Edita-se de forma indiscriminada a literatura de circunstância”, afirma.
Como pai, avô e autor de livros infantis, José Jorge Letria deixa conselhos para os pais: “A criança deve ter acesso aos seus livros tanto na sala como no quarto e na cozinha, isto é, nos espaços onde ela se movimenta.”
PESSOAL
MADRUGADA
“Deito-me tarde. Chego muitas vezes tarde a casa e escrevo todos os dias um bocado até às duas da manhã ou mais. Sou muito disciplinado mas não sou muito organizado.”
GALÁXIA TELEVISIVA
“A galáxia televisiva promove pessoas que querem fazer livros e a maior parte delas escreve obras que nada têm a ver com a literatura.”
DESTINOS
“Gostava de ir ao Vietname. Faz parte do meu imaginário geracional e também à pátria de Pablo Neruda, o Chile.”
TEMPOS LIVRES
“Adoro cinema. É uma arte que combina a realização com a música, a fotografia, a imagem...”
RAPAZES E RAPARIGAS
“Tenho dois filhos e dois netos e sobrinhos, todos rapazes. Gostava de ter uma menina na família!”
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