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D. Quixote revisitado

É um orgulho enorme, no ano em que se comemoram os 400 anos da obra e os 40 da editora, celebrar este livro e este homem”, palavras de João Rodrigues, o homem-forte da editora Dom Quixote, ao Correio da Manhã, em dia de lançamento da edição de luxo da obra maior de Miguel de Cervantes, ‘Dom Quixote de La Mancha’, com as ilustrações de Salvador Dalí, inéditas em Portugal.

07 de maio de 2005 às 00:00

A cerimónia decorreu no Instituto Cervantes de Lisboa e reuniu, entre admiradores de sempre e simpatizantes de ocasião, quem traduziu e apresentou, respectivamente, Miguel Serras Pereira e Maria Fernanda Abreu.

Edição comemorativa de dez mil exemplares, custa por cá dez euros menos do que no país natal do homenageado, ou seja, 50 euros para Portugal contra 60 para Espanha. Esta tradução será posteriormente editada noutras versões mais acessíveis, ainda de acordo com declarações de João Rodrigues.

Sobre a nova tradução, fiel ao original como Sancho a Dom Quixote, ninguém melhor para a explicar do que o autor, Miguel Serras Pereira, sensibilidade de poeta e formação de filósofo: “O trabalho de tradução inverte a maldição de Babel e transforma-a na bênção de Babel”, afirmou, desenvolvendo a ideia de um trabalho a favor da multiplicidade e pluralidade das línguas, ou seja, contra a sua nacionalização, sobretudo, quando se trata daquele que é para si “o primeiro romance da literatura romanesca”.

NACIONALIZAR, NÃO!

Com efeito, “o texto de chegada não deve nacionalizar o texto de partida”e, este, é ponto assente também para Maria Fernanda Abreu, ‘cervantista’ oficialmente assim designada por Ramiro Fonte, director do Instituto Cervantes de Lisboa.

Maria Fernanda Abreu está também presente no prefácio da obra que tem ainda a particularidade de retomar a formatação do texto original a duas colunas.

O texto introdutório multiplica-se por três: uma literatura de variação sobre o Dom Quixote de 1605, seguido de estudos de caso sobre a sua posterior influência, nomeadamente, nos escritores de ideologia comunista e, finalmente, o sebastianismo em Dom Quixote.

Por último, diga-se que, só este ano, em Espanha, foram mais de cem as edições de novas traduções da obra-prima do famoso escritor espanhol.

Em Portugal são duas, tendo esta a servi-la o luxo acrescido que é juntar às palavras de um génio as imagens de outro, facto inédito entre nós, onde as ilustrações de Salvador Dalí, também elas a completar por estes dias os 40 anos, não foram nunca utilizadas.

O DOM QUIXOTE DOS PEQUENINOS

Na ocasião, foi apresentada uma segunda obra, a saber: ‘O Meu Primeiro Dom Quixote’, tradução da escritor portuguesa Alice Vieira e ilustrações do humorista espanhol Mingote.

As venturas e desventuras do engenhoso fidalgo Dom Quixote e do seu fiel escudeiro Sancho Pança são aqui contadas aos mais pequenos de forma simples e divertida mas eficiente porque importa conhecer aquela que é reconhecidamente “uma das melhores obras de todos os tempos”.

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