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Correio da Manhã

Cultura
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DA RUA PARA O PALCO

Aprender teatro e, ao mesmo tempo, fugir a problemas sociais, à droga em particular, tem levado dezenas de jovens lisboetas a participar na Ofecena: o projecto tem 13 anos e foi agora transformado em associação cultural.
9 de Agosto de 2004 às 00:00
A funcionar desde 1991 no salão da Junta de Freguesia de São João, a Ofecena tem vivido com algumas dificuldades que vão sendo superadas com a boa vontade de quem nela participa. “A nossa principal dificuldade e a maior ambição é ter um espaço próprio”, disse à Lusa Cândido Ferreira, actor e director do projecto.
Uma ambição prestes a ser alcançada com à recente assinatura de um protocolo com a Junta de Freguesia, no qual esta se compromete a arranjar, junto da edilidade, um espaço próprio. Em contrapartida, a associação fica encarregue por pôr de pé, em Setembro, um Curso de Expressão Dramática e Cultural, aberto a toda a freguesia, uma das mais problemáticas a nível de toxicodependência.
ESPAÇO DE REFLEXÃO
Desde que abriu as suas portas, a Ofecena tem mantido sempre o mesmo objectivo: captar jovens para as artes dramáticas, sem a obrigatoriedade dos horários de um curso convencional e ainda promover um espaço de reflexão. A Ofecena é “uma estrutura aberta, onde reina um clima de serenidade e camaradagem que muitas vezes serve de terapia”, explicou Cândido Ferreira.
A importância do projecto é também sustentada por Martins Ferreira, presidente da Junta de S. João, onde se inscrevia o bairro da Curraleira, um dos grandes centros de toxicodependência da capital. “É preciso acompanhar a camada mais jovem da freguesia, sobretudo, aquela que se organiza para práticas de delinquência”, disse , salientando a importância da deslocação da Ofecena a escolas de risco.
Ao longo da sua existência, a Ofecena apresentou cerca de 20 peças junto de escolas, associações e centros de dia da freguesia, contando com um núcleo base de cerca de 20 pessoas e com os alunos que mais se destacaram nos cursos, cuja duração é de quatro a cinco meses.
“A associação prepara peças de teatro com um elenco variável dado que, muitas vezes, os jovens chegam mesmo a seguir uma carreira no teatro, no cinema, na música”, adiantou o director da escola. Todos os cenários, roupas e adereços dos espectáculos são feitos por todos: alunos e ‘professores’ da associação.
“Quando tivermos um espaço próprio, teremos de apostar mais na montagem das peças”, frisou. ‘A Tia Já Não Mora Aqui’ foi o último trabalho encenado pela Ofecena e apresentado, em Julho, no Festival Internacional de Artes de Rua de Palmela.
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