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Correio da Manhã

Cultura
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Dan Brown pode ter de pagar 15 milhões

Dan Brown, autor de um dos maiores sucessos editoriais dos últimos anos – ‘O Código Da Vinci’ – deslocou-se ontem pela primeira vez ao Supremo Tribunal britânico, em Londres, Inglaterra, para ser ouvido como testemunha num processo de plágio movido contra a editora que o representa, a Random House.
28 de Fevereiro de 2006 às 00:00
É que os investigadores Michael Baigent e Richard Leigh juram a pés juntos que Brown – que já arrecadou cerca de 300 milhões de euros com as vendas do seu ‘best-seller’ – roubou as ideias principais da obra ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, que publicaram em 1982. Agora, pedem 15 milhões de euros à Random House por ter editado o plágio... De acordo com a lei britânica, não é possível processar uma pessoa individual por plágio. A acusação terá sempre de recair sobre uma empresa. Portanto, e perante a impossibilidade de atacarem directamente o autor, os queixosos atiraram-se com força à Random House.
NADA MEIGOS
De acordo com Leigh e Baigent, é deles a teoria de que Jesus Cristo e Maria Madalena teriam tido filhos e que a Igreja seria responsável por uma conspiração global para iludir o facto.
Os autores dizem--se ainda evocados directamente n’ ‘O Código Da Vinci’ através da personagem Leigh Teabing. Leigh seria o próprio Richard Leigh e Teabing um anagrama de Baigent.
Por isso, os dois evocam violação de direitos de autor e pedem uma indemnização choruda à editora de Dan Brown – que, por sinal, também os representa. Caso contrário, exigirão que o romance seja retirado de circulação e que seja impedida a estreia do filme que nele se inspira.
Falamos, evidentemente, de ‘O Código Da Vinci’, de Ron Howard, que conta com interpretações de Tom Hanks, Audrey Tautou e Alfred Molina, entre muitos outros. O filme está neste momento em pós-produção e deverá abrir a próxima edição do Festival de Cinema de Cannes, em França, em Maio próximo.
Como facilmente se imagina, há muita gente interessada no resultado deste julgamento, que está a ser acompanhado de muito perto quer por advogados da indústria cinematográfica quer por membros da Igreja Católica.
No meio da confusão está Dan Brown, que se vê envolvido num escândalo, ele, que tanto detesta a exposição pública. Ao ponto de viajar sempre em aviões privados, só para não dar autógrafos...
OUTROS PLÁGIOS
A literatura é terreno fértil para plágio, mas os portugueses não se aventuram muito, mais seduzidos pelo autoplágio – o exemplo de Margarida Rebelo Pinto – ou pela tradução em nome próprio (as cópias de Clara Pinto Correia da ‘The New Yorker’ para a ‘Visão’). Ainda assim, temos o curioso caso de Eça de Queiroz, acusado de ter plagiado ‘O Crime do Padre Amaro’ de ‘La Faute de l’Abbé Mouret’, de Emile Zola. Lá fora, destacam- se
o espanhol Camilo José Cela (Nobel em 1989), acusado de plágio com ‘A Cruz de Santo André’, pela professora Carmen Formoso, autora de ‘Carmen, Carmel, Carmina’, e o canadiano Yann Martel e ‘A Vida de Pi’ (Booker de 2002), acusado pelo brasileiro Moacyr Scliar... Em todos os casos, os acusados ganharam!
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