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Correio da Manhã

Cultura
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Dança com fogo e raça no Casino Lisboa

Da autoria de Luis Bravo, ‘Forever Tango’ é um espectáculo ‘de exportação’ desenhado para apelar a quase todos os sentidos.
4 de Maio de 2006 às 00:00
Apresentado como uma suite de tangos (música, canto e dança), dez bailarinos e um cantor (Carlos Morel) entram e saem do palco protagonizando situações, frequentemente intimistas, tendo por cenário uma orquestra de quatro bandeonistas (com Santos Maggi solista), cinco instrumentistas de cordas, de que se destaca o excelente violinista Humberto Ridolfi, um teclista e o excitante pianista, Fernando Marzán.
Se o tango pode ser definido como uma mistura de ‘sentimentos contraditórios’ dançáveis, o que alimenta o ‘show’ são pequenas historietas contadas a dois, ou em grupo. Primeiro surge um homem e um bandoneon... depois outro homem (proxeneta) e outro instrumento, um lenço, uma orquestra, mulheres e uma luta... E, assim, acontece o tango.
Curiosamente, o espectáculo faz alusão à origem de uma dança que começou por ser protagonizada por homens e depois recebeu influências de outras danças sociais como a ‘milonga’ (de cadência mais lenta e binária) e a ‘habanera’ cubana, ambas em contraste com as dos ‘gaúchos’ das Pampas.
Género que vive da sedução e da melancolia contém na sua génese uma forte vertente felina e competitiva. Hoje são os ‘duelos’ entre homens e mulheres, com grande sentido de elegância, que dão espessura ao movimento e levantam plateias.
Pequenas miniaturas dançadas protagonizados por pernas e pés num deslumbrante rendilhado de passos miúdos e nervosos, o tango rasteiro, intenso e de olhos nos olhos dançado por matronas e homens que quase sempre disfarçam bem o peso dos anos, deu lugar a um certo humor e algum exibicionismo, por vezes, exagerado.
Em ‘Forever Tango’, desfiam-se ‘sentimentos exacerbados’ dançados à ‘média luz’, com uma sobriedade nas roupagens e, sobretudo, proporcionam-se alguns arranjos musicais interessantes e inovadores.
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