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Correio da Manhã

Cultura

Dança de imagens na penumbra

O grupo norte-americano Momix regressa a Portugal para estrear, no Casino Lisboa, um espectáculo fascinante em que o movimento e a luz criam imagens que vão do feérico ao intrigante.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
Uma das aranhas que protagoniza um dos mais belos momentos do espectáculo ‘Sun Flower Moon’
Uma das aranhas que protagoniza um dos mais belos momentos do espectáculo ‘Sun Flower Moon’ FOTO: Tiago Sousa Dias
Pretendendo ser não mais que teatro, dito, visual, ‘Sun Flower Moon’ (‘A Lua de Girassol’, em tradução literal), parece tratar-se, por vezes, de uma delicada sequência de números de magia feitos na penumbra e em que os protagonistas são animais e coisas que rastejam, trepam, voam e desaparecem.
Trata-se, antes de tudo, de um trabalho baseado na ‘técnica’ do Teatro Negro de Praga, com luz negra e em que, durante quase todo o espectáculo (que dura uma hora e meia), os artistas apresentam uma cor azulada. Além de efeitos que desafiam sistematicamente a força da gravidade, o coreógrafo projecta belas imagens em movimento sobre os bailarinos.
Estes, para além de fazerem toda a espécie de deslocações aéreas e apresentarem inúmeras habilidades dançadas, mostram também uma forte vertente de ginástica desde sempre presente nos trabalhos do Momix que, com este espectáculo, comemora este ano 25 anos de existência.
A colagem musical com temas de Brian Eno, Waveform e Hans Zimmer contribui decisivamente para um clima de fantasia e relaxamento habilmente induzido nos espectadores. Um dos momentos mais belos da peça é protagonizado por duas aranhas gigantes que se devoram, desaparecendo em seguida.
O grupo de Moses Pandleton, constituído por seis excelentes e versáteis bailarinos de cada sexo apresenta-se até 10 de Dezembro no Casino Lisboa, sempre às 22h00.
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