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Correio da Manhã

Cultura
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Das lágrimas ao bocejo

A espera foi longa (nada mais nada menos do que 14 anos) mas, finalmente, Axl Rose e os seus renovados Guns N’ Roses voltaram a palcos lusos. O concerto de sábado, contudo, foi um instável balanço entre a emoção de ir às lágrimas e o incómodo bocejo. Tudo por força dos inúmeros e longos interlúdios musicais.
29 de Maio de 2006 às 00:00
Aos Guns N’ Roses faltou mais objectividade e precisão mas, ainda assim, o grupo foi quem maior vibração imprimiu à plateia de 50 mil
Aos Guns N’ Roses faltou mais objectividade e precisão mas, ainda assim, o grupo foi quem maior vibração imprimiu à plateia de 50 mil FOTO: Alberto Martin/EPA
“Enchidos” no dizer de um fã, irado com as sucessivas quebras de ritmo decretadas pela necessidade de exibir os predicados técnicos dos novos membros. Como aquele instrumental de guitarra de ‘Beautiful’, de Christina Aguilera.
Ainda assim, os Guns foram quem maior vibração imprimiu à plateia de cerca de 50 mil fãs, muitos vindos expressamente de várias partes do País. Pela bitola de agitação na plateia, só mesmo os Xutos. Teriam sido, com certeza, melhor abertura para os Guns, já que os britânicos The Darkness não conseguiram aquecer o público, apesar do empenho e das várias tentativas ensaiadas. Objectivo só alcançado a espaços, concretamente com a versão de ‘Highway to Hell’ e ‘Thunderstruck’ (AC/DC) interpretadas pelo baixista, e um breve improviso com ‘We Will Rock You’ (Queen).
Com o atraso da praxe (‘apenas’ meia hora), Axl e os Guns atacaram o palco com ‘Welcome To The Jungle’. Péssimo som (Axl sem voz) camuflado pela pirotecnia, que haveria de sublinhar os momentos de maior emoção do espectáculo. Que, como se esperava, aconteceram com os velhos êxitos. ‘Sweet Child O’ Mine’ abriu o desfile, mas foi com ‘Knockin’ On Heavens Door’ e, sobretudo, ‘November Rain’, que a casa quase veio abaixo. Até lágrimas escorreram por algumas faces. E o caso não era para menos. Como alguém disse, “há aqui gente que foi concebida ao som desta malha”.
‘Night Rain’, ‘Patiente’ e ‘Paradise City’ (na despedida) foram outros momentos de verdadeira euforia, já que das novas canções só ‘IRS’ e ‘Better’ causaram impacto digno de nota.
Afável, Axl, agradeceu a Lisboa (“vocês são muito virtuosos” e chegou mesmo a questionar “quantos de vocês acreditariam que estaríamos aqui?”, numa óbvia referência ao ‘milagre’ da ressurreição do grupo. A verdade, porém, é que em Lisboa faltou aos Guns maior objectividade e precisão. Um concerto não pode ser um desfile de personagens por mais talentosas que sejam.
Deste modo, no final, os fãs dividiam-se. Para uns, os Guns ainda podem “voltar a ser grandes”, para outros esse é um objectivo “difícil” de alcançar a continuarem assim. Feitas as contas, a passagem pelo Rock in Rio-Lisboa permitiu apenas a Axl manter acesa a chama no desejado regresso aos bons velhos tempos.
FÃS FAZEM EXCURSÕES
Banda com uma muito considerável legião de fãs em Portugal, os Guns N’ Roses motivaram excursões a partir de várias partes do País. De autocarro, em viaturas próprias ou mesmo de comboio, centenas de veteranos fãs (e não só) rumaram ao Parque da Bela Vista com o propósito concreto de assistirem ao regresso de Axl Rose e do seu renovado pelotão.
Foi o caso de Emanuel, professor de Braga e fã de longa data do grupo, que se meteu ao caminho às primeiras horas da manhã de sábado. “Viemos de comboio do Porto, mas ainda não tínhamos chegado a Espinho quando o comboio avariou. Tivemos de ficar ali à espera que se resolvesse, mas cá estamos”, disse ao CM. Terminado o concerto, Emanuel e companheiros rumaram de imediato ao Norte. Uma viagem relâmpago de mais de 600 quilómetros só para assistir ao regresso dos seus heróis.
À MARGEM
QUEIXAS
Os preços “pró carote” praticados em alguns ‘stands’ de alimentação motivaram o protesto da comunidade rocker. Em resultado, alguns espaços na zona alta da Cidade do Rock – comida japonesa, vegetariana, pizzaria e outros – estiveram sábado quase às moscas. Para agravar a revolta, não há cerveja ‘tradicional’. “Temos de beber aquilo que eles querem e não conseguem vender”, lançaram alguns.
POEIRA POR DEMAIS
O dia (e noite) estiveram particularmente quentes, mas como um mal nunca vem só houve ainda que lidar com a muita poeira que, teimosamente, pairava no ar devido à inexistência de vento.
RITMOS DE COR
Pode ser um mero acaso, mas a Tenda Electrónica é a que regista maior variedade de públicos. Atraídos pela profusão de ritmos, é lá que centenas e centenas de jovens de cor se encontram, impelindo os corpos ao sabor das batidas.
PASSATEMPO 'ROCK IN CM'
DOIS PREMIADOS
Na próxima quinta-feira, dia 1 de Junho, são publicados os resultados do passatempo Rock in CM. Hoje é o último dia para recepcionar os cupões enviados via CTT. Esteja atento ao Correio da Manhã e fique a saber se é um dos premiados.
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