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Correio da Manhã

Cultura
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De Lisboa para o Mundo

Novo capítulo da música universal e etérea dos Madredeus, ‘Faluas do Tejo’ é a primeira declaração de amor que o grupo faz a Lisboa, cidade que os viu nascer há precisamente 20 anos.
14 de Fevereiro de 2005 às 00:00
De Lisboa para o Mundo
De Lisboa para o Mundo FOTO: J. M. Garcia / Epa
Impregnado do mistério das vielas, da luz do rio e da nostalgia da canção de Lisboa, ‘Faluas do Tejo’, 13.º álbum da carreira do grupo, surge como uma espécie de agradecimento à cidade que tantas vezes tem inspirado as suas viagens sonoras, mas que nunca antes tinha sido cantada.
Porém, apesar do ‘bairrismo’ latente em ‘Faluas do Tejo’, a sonoridade dos Madredeus continua a ser universal, etérea e pacifista, no rasto do caminho encetado a partir de ‘O Espírito da Paz’ (1995), quando decidiram (em boa hora) apostar em força na internacionalização e aderir ao conceito da aldeia global: criar algo íntimo e, simultaneamente, colectivo, para que possa ser uma referência para todos os povos.
Embora nem sempre seja muito visível, os Madredeus continuam em ‘Movimento’ (2001), ou seja, num esforço constante de renovação da sua própria fórmula.
Em ‘Faluas do Tejo’ há ainda um irresistível toque a bossa-nova, a que não é estranho o facto do disco ser fruto da mesma sessão de estúdio de ‘Um Amor Infinito’ (em que a influência da música do Brasil, entre outras, é igualmente indisfarçável), impresso em temas como ‘Adoro Lisboa’ e ‘ O Canto da Saudade’.
Destaque ainda para a participação de Rui Machado (marido de Teresa Salgueiro) na letra de ‘O Cais Distante’. Machado já havia colaborado anteriormente com os Madredeus no tema ‘Canção do Tempo’, no disco ao vivo ‘O Porto’ (1998) e em ‘A Guitarra e outras Mulheres’, de António Chaínho, no qual a cantora dos Madredeus interpreta dois fados.
Aliás, em ‘Faluas do Tejo’, Teresa Salgueiro está num dos seus melhores momentos. Ícone da música sem fronteiras e pacificadora, volta a interpretar cada canção de forma sublime e apaixonada, mas, sobretudo, sem soberba, e contida à sua condição de ‘instrumento’ do quinteto e porta-voz desta nossa alma lusa.
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