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Correio da Manhã

Cultura
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Dedicação e fanatismo sem igual

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Que o digam os cerca de 60 fãs acampados junto ao estádio de Alvalade há mais de 48 horas para garantir um lugar nas primeiras filas do concerto dos U2.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
Dedicação e fanatismo sem igual
Dedicação e fanatismo sem igual FOTO: Sérgio Lemos
Quase indiferentes ao calor, à dieta alimentar à base de conservas e sandes ou às noites mal dormidas, o que os move é um ‘amor’ incondicional. Ao ponto de se vestirem como os seus heróis, como um sósia de The Edge que tentava ainda arranjar bilhetes. Mas há mais.
A mexicana Alejandra, 23 anos, é um bom exemplo da dedicação dos fãs dos U2. A psicóloga social de uma Organização Não Governamental espanhola que desenvolve acções de educação na América do Sul, garante que são pessoas como os U2, com preocupações sociais, que motivam “quem dedica uma vida em prol dos outros” e, no seu caso, a viajar do México para a Europa só para os ver.
“Gosto da música, mas não sentiria uma admiração tão grande se por trás destes artistas não existissem grandes homens. E os concertos desta digressão estão cheios de mensagens. Os U2 mobilizam e sensibilizam o mundo para os problemas dos nossos dias”, disse Alejandra que, antes de rumar a Lisboa, viu os concertos de Madrid e S. Sebastian.
Se a ‘missão’ de Bono passa por ‘evangelizar’ as hostes (o que valeu aos U2 a Ordem da Liberdade a atribuir esta tarde pelo Presidente da República), então o objectivo foi conseguido em Alvalade, onde temas como África, Sida e Ambiente foram o foco de muitas das conversas. “É bonito sentir como as pessoas podem unir-se em torno da música e, através dela, contribuir para um mundo melhor”, acrescentou a jovem.
Mas no que diz respeito às consciências, é pena que nem todos ali se dirijam com as melhores intenções e Alejandra não escapou à praga. “Paguei 130 euros por um bilhete porque só tive oportunidade de adquiri-lo na candonga. Mas há quem esteja a vendê-los a 200 e 300 euros e até quem peça mil euros por três bilhetes para a relva”, denunciou.
De mais perto, Barcelona, veio Edu Castro, 28 anos. Seria um fã igual aos outros não fossem as duas tatuagens dos U2 que exibe nas costas e na perna direita. “Fi-las para demonstrar o que sinto pela banda. Claro que muitos acham que sou maluco”, explicou o catalão. E como o fanatismo não conhece limites, uma das companheiras de Edu, Simona Pescara, italiana, demitiu-se do emprego em Junho para poder viajar atrás dos U2. “Valeu a pena. Vim com pessoas que conheci na digressão de 2001. Somos uma família”, disse.
GRANDE CIRCO
A equipa de produção internacional trouxe até Lisboa cerca de 150 pessoas, a que se juntou depois mais uma centena de portugueses. Todos eles são fundamentais para o grande circo do rock n’roll.
“A vida destas pessoas é isto. Passam oito meses na estrada com uma banda. São profissionais de topo, que só trabalham com os melhores do Mundo”, explicou Nuno Braamcamp.
Segundo este responsável da promotora do concerto, a R & B, os camarins dos U2 estão “instalados nas cabinas dos jogadores do Sporting”, no lado poente do estádio. Por ali, não vão circular bebidas alcoólicas. “Nem para a banda nem para a produção. São proibidas. Vinho português só mesmo para os ‘bigs’”, confessou.
KEANE CANCELAM
Os Keane não vão abrir para os U2, devido a doença do vocalista Tom Chaplin. No seu ‘site’, o grupo revela que o músico tem uma infecção na garganta e confessa-se “destroçado” por não poder tocar com os U2 em Lisboa, “um dos nossos lugares preferidos no planeta”.
Em consequência, a primeira parte será preenchida apenas pelos Kaiser Chiefs, que sobem ao palco às 20h00 para um concerto de uma hora. Os U2 entram às 21h45.
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