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Correio da Manhã

Cultura
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Delírios da ‘belle époque’ em Lisboa

A ópera ‘Os Contos de Hoffmann’, do mais francês dos compositores alemães, Jacques Offenbach, voltou num registo fantasioso e meio delirante ao palco do S. Carlos, após uma ausência de mais de 20 anos. Das peças apresentadas na presente temporada, esta será a que mais consenso gera entre o público.
16 de Abril de 2008 às 00:30
Elenco presente em Portugal tem nota positiva num espectáculo fantasioso
Elenco presente em Portugal tem nota positiva num espectáculo fantasioso FOTO: direitos reservados

A encenação não segue uma linha tradicional em termos de narrativa, e com a cama de Hoffmann (escritor e compositor romântico) presente na boca da cena durante os cinco actos é difícil entender como se sai de uma taberna para o laboratório de Coppélius, se passa pelos canais venezianos – onde se canta a bela e conhecida ‘Barcarola’ – e se volta à zona dos copos.

A cenografia apresenta laivos surreais mas com referências à ‘belle époque’, enquanto o movimento dançado não vai além de um apontamento coreográfico com uma modestíssima participação da Companhia Nacional de Bailado.

Do ponto de vista musical, o espectáculo mostra-se equilibrado com os cantores bem distribuídos nos respectivos papéis.

Entre os intérpretes que sobem ao palco da sala lisboeta, destaque para Sergei Khomov, que com boa presença e voz timbrada é um Hoffmann à altura. Chelsey Schill, expressivo, faz uma Olympia cómica e apenas desliza em algumas coloraturas. Maria fontosh é a cantora mais aplaudida, pela boa voz e pelo dramatismo colocado em Antónia.

Para além do tenor Carlos Guilherme, que defende vários papéis com verve, é pena que os cantores portugueses ocupem lugares subalternos, ainda que importantes, num trabalho em que o Coro e a Orquestra do S. Carlos, sob a batuta certeira de Gregor Buhl, conseguem produzir uma sonoridade muito acima da média.

A encenação não segue uma linha tradicional em termos de narrativa, e com a cama de Hoffmann (escritor e compositor romântico) presente na boca da cena durante os cinco actos é difícil entender como se sai de uma taberna para o laboratório de Coppélius, se passa pelos canais venezianos – onde se canta a bela e conhecida ‘Barcarola’ – e se volta à zona dos copos.

A cenografia apresenta laivos surreais mas com referências à ‘belle époque’, enquanto o movimento dançado não vai além de um apontamento coreográfico com uma modestíssima participação da Companhia Nacional de Bailado.

Do ponto de vista musical, o espectáculo mostra-se equilibrado com os cantores bem distribuídos nos respectivos papéis.

Entre os intérpretes que sobem ao palco da sala lisboeta, destaque para Sergei Khomov, que com boa presença e voz timbrada é um Hoffmann à altura. Chelsey Schill, expressivo, faz uma Olympia cómica e apenas desliza em algumas coloraturas. Maria fontosh é a cantora mais aplaudida, pela boa voz e pelo dramatismo colocado em Antónia.

Para além do tenor Carlos Guilherme, que defende vários papéis com verve, é pena que os cantores portugueses ocupem lugares subalternos, ainda que importantes, num trabalho em que o Coro e a Orquestra do S. Carlos, sob a batuta certeira de Gregor Buhl, conseguem produzir uma sonoridade muito acima da média.

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