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Correio da Manhã

Cultura
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DESATENÇÃO NUNCA MAIS

"Se ganharmos vamos repor o bom senso e acabar com a impunidade, com a empresa familiar e com o compadrio. Se perdermos nunca mais estaremos desatentos. O tempo do unanimismo acabou", palavras de Manuel Freire, porta-voz da mudança preconizada pela Lista B, ontem, em conferência de Imprensa, na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).
3 de Setembro de 2003 às 00:00
Freire e Letria, candidatos a presidente e vice-presidente da direcção
Freire e Letria, candidatos a presidente e vice-presidente da direcção FOTO: José Barradas
O futuro da SPA, recorde-se, joga--se no dia 15, data da eleição dos corpos sociais (direcção, assembleia geral e conselho fiscal), sucessivamente demitidos, desde que, no início do ano, a saída da então directora financeira, Filomena Antunes, arrastou com ela uma série de acusações de gestão fraudulenta que ainda hoje pesam sobre a Sociedade.
O músico João Gil, vice-presidente da direcção, foi o primeiro a bater com a porta. Seguiu-se o presidente da assembleia geral, o escritor José Jorge Letria. Manuel Freire, cuja identidade se confunde com a "Pedra Filosofal", não aqueceu o lugar deixado vago por Gil e a sua demissão ditou a demissão em bloco de toda a direcção. A SPA perdia, assim, todos os seus corpos socias. Eram mais as dúvidas do que as certezas, as perguntas que as respostas. Resultado: eleições antecipadas.
Processo eleitoral em curso, não foi pacífico por desigual, obrigando à intervenção do Instituto António Sérgio, órgão que tutela todo o sector cooperativo, destabilizando de vez com as buscas da Polícia Judiciária (PJ) às casas dos administradores em gestão corrente, Rebello e filha, e ainda às sedes da sociedade.
Por enquanto a PJ não se manifesta. Rebello também não. Nem mesmo quando fica por explicar o "abuso" com que Rogério Martins classificou o uso do seu nome na candidatura à presidência do conselho fiscal pela lista da sua simpatia: a lista A que se bate pela continuidade e tem em Vasco Graça Moura o mandatário. Por explicar está a baixa mais recente: a de Rosa Lobato Faria. Num caso como no outro, lugares vazios só de silêncio cheios.
Mas nem só de silêncios comprometedores ou superiores, dependendo do ponto de vista, se falou ontem na sociedade de todos os autores.
E a todos os autores faz-se saber que a lista B foi revista e reforçada com Rui Veloso e António Pinho Vargas na direcção e Mário Mesquita na vice-presidência da assembleia geral. Do conselho fiscal saiu Fernando Machado Soares e entrou Álvaro Salazar.
Manuel Freire era ontem, mais do que um candidato confiante, um homem feliz. A vitória é outra: "Desde que tudo isto começou ainda não fiz inimigos".
GESTÃO CORRENTE ILIMITADA
Demissionária, a direcção continua a responder pela gestão corrente da Sociedade Portuguesa de Autores e, em reunião realizada na última quinta-feira, aprovou uma proposta que determina o pagamento integral dos 900 mil euros de impostos não tributados, de acordo com o relatório das Finanças que dá conta de ajudas de custo e de outros subsídios não declarados ao Fisco. Na ocasião, Rebello atribuiu o erro de gestão a "director-financeiro entretanto demitido". Deste montante, "cinquenta por cento cabem à direcção e à administração", segundo Manuel Freire que a propósito, avançou: "Ainda não sabemos como mas queremos impugnar esta decisão. Uma direcção em gestão corrente não pode aprovar estas medidas e não deve ser a Sociedade a assumir a dívida". Mais: "Todas as despesas desta campanha eleitoral foram suportadas pelos seus candidatos. Nunca pela Sociedade!".
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