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Correio da Manhã

Cultura
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Desconto em teatro para quem levar comida

Gato que Ladra inspirou-se em casos de quem vive na rua e construiu um espetáculo solidário: 10% da bilheteira reverte a favor dos sem-abrigo
6 de Dezembro de 2013 às 14:23
A peça tenta alertar para o facto de cada vez existirem mais pessoas a viver na rua
A peça tenta alertar para o facto de cada vez existirem mais pessoas a viver na rua FOTO: João Miguel Rodrigues

Os atores foram para a rua ver como vivem os sem abrigo e ouvir as suas histórias. Levaram com eles o escritor Afonso Cruz. Depois, pediram-lhe que escrevesse uma peça sobre o assunto. O resultado é a ‘Casa - O Cultivo de Flores de Plástico', que está em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, até dia 22, e que desafia os espectadores a levarem bens essenciais para os sem-abrigo em troca de um desconto de 40% no preço do bilhete (que é de 10 euros).

É assim a 16ª produção da associação Gato que Ladra, encenada por Rute Rocha. A criadora - que não viu os espetáculos apresentados esta temporada no Teatro Nacional e no Teatro Rápido sobre a mesma temática - lembra que os sem-abrigo são "um problema de todos nós".

"Há cada vez mais pessoas a viver na rua e essa é uma realidade à qual o teatro não pode ficar indiferente", afirma. "Sobretudo quando a ameaça da indigência paira sobre qualquer um de nós."

Numa Sala Estúdio transformada em rua (espaço cénico de Fernando Alvarez), vivem quatro sem-abrigo (os atores Maria d'Aires, Cristina Cavalinhos, Pedro Barbeitos e José Mateus), cujas histórias somos convidados a conhecer. Pela sala, arrastam os seus magros pertences e desfilam as memórias que lhes alimentam a alma. "As histórias são fictícias, mas construídas a partir de relatos reais", sublinha a encenadora.

E porque o espetáculo resulta de uma colaboração com o Centro de Apoio aos Sem-Abrigo, 10% da bilheteira da peça reverte a favor dessa instituição.

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