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Correio da Manhã

Cultura
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Devoção de Frei Carlos no Museu de Arte Antiga

Uma obra inédita do monge-pintor Frei Carlos, ‘Ecce Homo’ (ou ‘Senhor da Cana Verde’), serviu de ponto de partida à exposição dedicada às imagens devocionais nos séculos XV e XVI. Intitulada ‘Frei Carlos e o Belo Portátil – Uma Nova Pintura na Colecção do MNAA’, está patente até 4 de Fevereiro, no Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa.
19 de Novembro de 2006 às 00:00
Recém-adquirida por 75 mil euros, para o MNAA, é uma pintura para veneração individual, em oratório, ambiente privado ou em viagem. “Nesta peça, que serve para estabelecer o diálogo com o crente, tudo está concentrado no olhar de Cristo”, explicou ao CM o comissário da mostra, José Alberto Seabra Carvalho.
“As marcas de sofrimento, como as lágrimas, o sangue, a coroa de espinhos e as mãos atadas estão associadas a um olhar de grande humanidade”, referiu, acrescentando que a peça – não datada nem assinada – foi realizada na época mais produtiva (1520-30) da carreira artística do monge-pintor (ver caixa).
As suas dimensões (39,5x31 centímetros) são exemplo das pequenas imagens devocionais produzidas na oficina de Frei Carlos, uma das mais proeminentes figuras da pintura retabular em Portugal. Adquirida à neta de Jorge O’Neill (1849-1925), antes de ser restaurada, foi sujeita a exames radiográficos e fotográficos para confirmar a autenticidade.
De Frei Carlos são ainda mostradas cerca de 15 representações de Cristo e da Virgem com o Menino, provenientes de vários conventos da Ordem de S. Jerónimo.
A exposição é completada por 15 pinturas devocionais, portáteis, de autoria predominantemente flamenga e portuguesa – algumas oriundas de colecções privadas, nunca ou raramente vistas em público – e termina com o painel ‘A Virgem com o Menino e Anjos’, executado entre 1536 e 1539 por Gregório Lopes e proveniente de um dos antigos altares da Charola do Convento de Cristo, em Tomar. Uma obra apresentada pela primeira vez, após ter sido restaurada por técnicos do MNAA.
UM MONGE PINTOR
Pintor de origem flamenga, Frei Carlos professou em Abril de 1517 no Mosteiro de Sta. Maria do Espinheiro (Évora), onde instituiu uma oficina de pintura dedicada à produção de imagens para os altares e oratórios do mosteiro e para outros conventos da Ordem de S. Jerónimo. Terá morrido por volta de 1540 e foi sepultado no Mosteiro de S. Jerónimo do Mato, Alenquer.
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