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Correio da Manhã

Cultura
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Dia Mundial da Dança

Criado em 1982 pela UNESCO, o Dia Mundial da Dança assinala, entre outras coisas, o nascimento do inovador francês do séc. XVIII Jean-Georges Noverre. Anualmente, a instituição difunde uma mensagem encomendada a uma personalidade relevante do mundo da dança.
29 de Abril de 2007 às 00:00
“GOSTAVA DE TER UM GRUPO MEU"
"Tive uma carreira óptima pois trabalhei sempre com artistas fantásticos. Ainda em criança, um dos primeiros foi Leonide Massine, um ano antes da sua morte. Depois foi com a filha de Nijisnky, que remontou ‘Les Biches’ e ‘Jeux’ para o Ballet de Oakland.” Paulo Manso nasceu em Portugal mas fez carreira nos Estados Unidos, incluindo três anos de estudos na famosa escola de Balanchine, a SAB, em Nova Iorque, e dançando em companhias como a Metropolitan Opera, o Feld Ballet e o Eglevsky Ballet.
A determinada altura começou a actuar como artista convidado de Eduardo Villella, Amanda Mackerow e Gelsey Kirkland. Finalmente, entrou para o Miami City Ballet, como bailarino principal, onde dançou o variado reportório balanchiniano.
“Quando deixei aquela companhia fundei a Manso-Dance, um grupo independente com o qual fiz vários espectáculos nos Estados Unidos até que decidi mudar de ares. Como nasci em Portugal achei que seria o melhor acesso à Europa. Na verdade, precisava de um passaporte para trabalhar com o Ballet de Biarritz. Vim de férias a Lisboa, tratei dos documentos, mas acabei por fazer umas aulas com a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo para não perder a forma. Então fui convidado para substituir, por três meses, uma professora, e fiquei dois anos”, explicou.
Uma vez no nosso país, Manso decidiu coreografar e dirigiu a Companhia de Dança de Aveiro, para a qual criou e também dançou. Actualmente ensina, dança e coreografa para a CêDêCê, em Alcobaça.
“Em Portugal temos a possibilidade de fazer experiências que, hoje, pouco se fazem nos EUA, em que tudo tende a ser mais comercial porque os apoios quase só vêm de instituições privadas. Tenta-se não perder a integridade mas nunca se deixa de ter em conta que trabalhamos para um vasto público”, adianta o bailarino, que não tem grandes dúvidas quanto ao que pretende do futuro: “Não sei se tenho talento para ser um bom coreógrafo. Mas gostava de ter um grupo meu aqui ou nos EUA.”
PERFIL
Nascido no Funchal, Paulo Manso cresceu e formou-se em dança nos EUA. Durante cerca de três décadas dançou com um grupo muito alargado de companhias norte-americanas e fez trabalhos comerciais antes de se fixar em Lisboa. É professor convidado de várias companhias e grupos europeus e foi director da Companhia de Dança de Aveiro.
"EM PORTUGAL HÁ POUCA ESTABILIDADE"
Aos 11 anos, Hugo Marmelada viu, repetidamente, um espectáculo de hip-hop na Expo’98 e até chorou de emoção quando encontrou os bailarinos, que eram franceses.
Entusiasmado, fez um curso de hip-hop no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, tendo continuado neste estilo de dança até ingressar na escola de Setúbal. Ao fim de cinco anos saiu com um diploma de bailarino e encontrou trabalho numa companhia suíça, sob a direcção de um brasileiro. Em simultâneo foi aceite no Quórum Ballet, na Amadora, mas optou por começar a carreira profissional com um projecto menos familiar, investindo no desconhecido.
Actual jovem promessa da dança nacional, Hugo Marmelada tornou-se conhecidos aos 16 anos após ganhar um concurso europeu de dança cujo prémio foi uma viagem aos Estados Unidos. “Concorreram milhares de jovens nas selecções de cada país e entre oito finalistas decidi, em Portugal, a final com uma amiga, a Rita Jackson. Fui aos EUA com a minha mãe e as expectativas eram altas. Não dancei muito mas diverti-me e fiquei um pouco conhecido em Portugal e até no estrangeiro. Quando dou aulas muitas pessoas lembram-se do prémio e fui convidado para fazer algumas exibições de carácter comercial”, explicou ao CM.
Agora com 19 anos, Hugo é profissional no estrangeiro: “Ensaiei durante dois meses e fiz uma digressão de um mês pela Suíça. Éramos um grupo de jovens de seis países europeus e cada um trouxe informações curiosas sobre a dança das suas terras. Como a vertente teatral do meu trabalho ainda não está muito desenvolvida, esperava ter sido mais utilizado num trabalho físico, com mais movimento. A peça intitulava-se ‘Frankenstein!’ e estava à espera de dançar mais”, adiantou.
De regresso a Portugal integrou um novo projecto, no qual trabalha desde Fevereiro, a Tok’Art. Trata-se, como explicou, de um grupo de cinco bailarinos. “Faço este trabalho com muito gosto mas o meu objectivo é continuar a conciliar o hip-hop com a dança contemporânea, possivelmente em França ou na Suécia porque em Portugal não tenho possibilidade de estudar com bons professores e são poucas as companhias que oferecem alguma estabilidade no trabalho”, concluiu.
PERFIL
Nasceu em Lisboa há 19 anos e formou-se na Academia de Dança Contemporânea de Setúbal. Vencedor, em 2003, do concurso europeu MTV Shakedown, participou em Los Angeles num videoclip do cantor Usher. Bailarino contemporâneo e de hip-hop, integrou em 2006 a Companhia Alias do coreógrafo Guilherme Botelho, na Suíça. Actualmente participa no projecto Tok’Art.
MENSAGEM DO DIA POR SASHA WALTZ
“Dança-se em aniversários e casamentos, nas ruas e em salas, nos palcos e nos bastidores. Para comunicarmos alegria e tristeza, como ritual e experiência de fronteira. A dança é uma linguagem universal: emissária de um mundo pacífico para a igualdade, tolerância e compaixão. Ela ensina-nos a sermos sensíveis, conscienciosos e a dar atenção ao momento. É, também, a expressão da nossa vivacidade. Dança é transformação, localiza a alma e confere ao corpo uma dimensão espiritual. A dança permite-nos sentir o corpo, elevar-nos, ir para além dele e ser outro corpo. Dançar é participar activamente na vibração do universo.”
TARIKAVALLI NA MALAPOSTA
Nascida em França e baptizada Maria, tem origens portuguesas e é a única artista profissional que dança e ensina Baharata Natyam no nosso país. Formada em Paris e na Índia, em dança clássica indiana, Tarikavalli reparte a sua actividade artística entre Portugal e França. O seu nome artístico, que significa grinalda de estrelas, foi-lhe dado pelos seus mestres indianos. Para além de dar recitais e de fazer oficinas para crianças e adultos ensina regularmente no Centro de Dança de Oeiras, em Algés.
Esta noite mostra a sua arte, a partir das 21h30, no Teatro da Malaposta, em Olival Basto, com ‘Namaskar’, um conjunto de seis danças rituais com uma ordem pré-estabelecida desde o séc. VII e, em simultâneo, uma homenagem aos professores com quem estudou e dançou.
NOTAS
GALA INTERNACIONAL
A Companhia Nacional de Bailado comemora a data com uma gala internacional, com início às 21h00 no Teatro Camões, ao Parque das Nações.
PERCURSO PELAS MONTRAS
Em Alcobaça, além do espectáculo, a CêDêCê faz um percurso – entre o Convento e o Teatro – pelas montras de lojas que exibem fatos de dança.
MARATONA EM AVEIRO
Performances, conversas e mostras de vídeo com Vera Mantero, Clara Andermatt, Isabel e Né Barros, Tânia Carvalho, Aldara Bizarro e Rui Horta. Teatro Aveirense: 11h00.
AGENDA
ALCOBAÇA: CineTeatro – 21h30
CêDêCê – Memória e Modernidade: ‘And the Story Comes Last’, de Mark Haim, ‘Let’s Dance’, de Paulo Manso, e ‘Homenagem a Karen Bell-Kanner’.
ALGÉS: Centro de Dança de Oeiras – 17h00
Aulas abertas de Biomovimento para jovens e adultos, por Valéria Carvalho.
ALMADA: Teatro Municipal – 21h30
‘aTensão’, de Daniel Cardoso e Tiago Medeiros.
AMADORA: Recreios da Amadora – 21h30
‘Traços Nómadas’, espectáculo de dança oriental e cigana.
BRAGA: 21h30
Encerramento da Semana da Dança.
ESTARREJA: 21h30
A Companhia de Dança de Almada apresenta ‘Submersão do meu Ser’, de Rita Galo.
LEIRIA: Teatro Miguel Franco – 21h30
Projecto Multimédia/Performance ‘DOC. 10’, de Paulo Henrique.
LISBOA: Teatro S. Luiz, Jardim de Inverno – 00h00
‘Rav’Ormance’.
PINHAL NOVO: Aud. biblioteca – 17h00
Final do Minicurso de Dança Contemporânea.
PORTO: Jardim da Arca d’Água – 16h00
Balleteatro, Concerto Dançado pela Fanfarra Recreativa Colher de Sopa.
REDONDO: Centro Cultural – 21h30
Companhia Contemporânea de Dança de Évora, ‘Vida’, de Nélia Pinheiro.
VILA NOVA DE GAIA: Aud. Municipal – 16h00 (Entrada gratuita)
Companhia-Escola do Ginasiano.
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