Diálogos de Amadeo

'Avant la Corrida’, o quadro que esteve 93 anos desaparecido, é a ‘estrela’ da exposição ‘Amadeo Souza-Cardoso – Diálogo de Vanguardas’, a inaugurar terça-feira, às 22h00, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. A mostra, que estará aberta ao público a partir de quarta-feira, será visitada já amanhã, às 17h30, pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
12.11.06
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Diálogos de Amadeo
'Procissão' é um dos trabalhos do pintor que podem ser apreciados na exposição patente até 14 de Janeiro de 2007 Foto d.r.
A obra ‘Avant la Corrida’, realizada em 1912, é uma das grandes novidades da exposição, cuja abertura coincide com o dia de nascimento de Amadeo e os 100 anos decorridos sobre a sua partida para Paris, além dos 50 anos sobre a redescoberta e a apresentação historiográfica do artista em Portugal, por José-Augusto França.
A iniciativa visa estabelecer um reencontro entre a obra daquele que é considerado o precursor do modernismo português e a de artistas estrangeiros da sua geração, com os quais Amadeo conviveu em Paris, entre 1906 e 1914. “Interessou-nos a perspectiva do artista a partir da sua relação com Paris (ou entre Paris e Manhufe), não como emigrante mas como um entre tantos outros vindos de várias partes do Mundo”, explicou a comissária, Helena de Freitas.
Na altura, Paris acolheu “a grande maioria dos artistas e dos movimentos de ruptura que alteraram em definitivo os cânones de representação da arte ocidental”, adiantou a investigadora.
Amadeo é, portanto, o eixo da mostra e as suas pinturas e desenhos (realizados entre 1908 e 1918) permitem estabelecer um diálogo com a obra de artistas seus contemporâneos. Igualmente em destaque, está a relação do pintor com os movimentos da vanguarda russa e com alguns dos artistas que os protagonizaram.
A exposição, patente até 14 de Janeiro de 2007, apresenta cerca de 260 obras, 190 das quais da autoria de Amadeo e as restantes de 36 artistas estrangeiros, entre os quais Brancusi, Modigliani, Picasso, August Macke, Alexej Jawlensky, Liubov Popova, Olga Rozanova e Ivan Puni.
Os trabalhos foram emprestados por coleccionadores particulares e por diversos museus nacionais e internacionais, como o Metropolitan (Nova Iorque), o Art Institute (Chicago), o Centro Pompidou e o Museu de Arte Moderna (Paris), o Museu Britânico e a Tate Modern (Londres).
NOVENTA E TRÊS ANOS DESAPARECIDA
‘Avant la Corrida’/‘Before the Bullfight’ (1912), desaparecida há 93 anos, foi recentemente comprada pela Fundação Gulbenkian a um advogado e coleccionador norte-americano por um valor não divulgado. Helena de Freitas teve conhecimento do quadro através de um ‘e-mail’, recebido após ter colocado, em 2005, um anúncio no ‘site’ do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão solicitando informações sobre obras de Amadeo desaparecidas.
‘Avant la Corrida’ foi uma das oito que representaram Amadeo na feira de arte internacional Armory Show (1913), em Nova Iorque, quando foi comprada por 216 dólares por Robert Withorp Chanler. Desde então, tem estado em colecções particulares nos EUA.
De acordo com Helena de Freitas, trata-se de “um dos exemplos mais perfeitos do modo como Amadeo interpreta na época os movimentos de vanguarda, específico na escolha do tema, ousado na expressão global da velocidade e subtilíssimo no requintado uso da cor”.
'VIOLINO...' ROUBADO
‘Violino Cereja’, pintura de 1916, é a única obra de Amadeo que se sabe ter sido roubada. Este óleo sobre cartão, com 16,5 x 12 centímetros, foi furtado em 1995 do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, na manhã de 10 de Julho, quando este se encontrava encerrado. À data, a pintura (inserida na lista de obras de arte furtadas da Polícia Judiciária) estava avaliada em 25 mil contos (125 mil euros). A 23 de Janeiro de 2001, o processo foi arquivado no Tribunal de Amarante.
PERFIL
Amadeo de Souza-Cardoso nasceu a 14 de Novembro de 1887 em Manhufe, em Mancelos (Amarante). Frequentou o curso de Arquitectura na Academia de Belas-Artes de Lisboa, que interrompeu para se mudar para Paris.
Na capital francesa, viveu entre 1906 e 1914, onde integrou ateliers preparatórios para a Academia de Belas-Artes e para a Academia Viti. Lá, conviveu com artistas como Amedeo Modigliani, Otto Freundlich, Sonia Delaunay-Terk, Robert Delaunay, Brancusi e Albert Gleizes.
Por essa altura, começou a ganhar grande notoriedade e a expôr em salões franceses e internacionais, com destaque para o Salon des Indépendants (1911, 1912), X Salon d’Automne (1912), I Salão de Outono de Berlim (1913), Armory Show de Nova Iorque (1913) e o London Salon of Allied Artists Association (1914). Morreu a 25 de Outubro de 1918, em Espinho.

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