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Correio da Manhã

Cultura
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Diferença em palco é trunfo

Os Xutos & Pontapés nasceram no palco e, ainda que poucos tenham reparado na primeira prestação, a banda faz questão de impressionar a cada concerto. Profissionalismo, competência e respeito pelos fãs são aspectos que os Xutos não descuram nunca.
8 de Janeiro de 2009 às 00:30
Zé Pedro é um dos intérpretes dos “momentos fortes” com que os Xutos cativam o seu público
Zé Pedro é um dos intérpretes dos “momentos fortes” com que os Xutos cativam o seu público FOTO: Sérgio Lemos

"O grande responsável por essa parte é o Kalu", revela Tim. "Ele acha que um concerto tem de ter uma imagem forte. Quando abrimos um espectáculo, aquela imagem tem de ficar, é com essa imagem que o público vai ficar. É uma preocupação que temos: a entrada tem de ser uma coisa que faça a diferença."

Segundo os Xutos, entrar forte não é a única preocupação que têm sempre que sobem a um palco. "A entrada forte acaba por condicionar um pouco o desenrolar do concerto", lança Tim.

"Tem que haver outros momentos fortes, pequenas coisas, como as bolas ou as strippers no Estádio de Alvalade [em 1993]", acrescenta Kalu. "São pequenas coisas que vamos fazendo, e a verdade é que nunca estamos satisfeitos", reforça Tim.

Ainda de acordo com o vocalista, esta atitude é mais evidente desde a "segunda fase dos Xutos", após a paragem em 1991, que levou os músicos para várias actividades. Zé Pedro e Kalu abriram o Johnny Guitar, e Tim entrou para os Resistência.

"Nunca mais aconteceu aquela cena do ‘empresta aí a guitarra’. Deixámos aquela fase do ‘é rock’n’roll’ e entrámos numa de maior responsabilidade", explica Tim.

DEPOIMENTO

"SÃO OS MELHORES GAJOS DO MUNDO" (Luís Montez, Promotor )

Primeiro foram as canções do ‘Cerco’, que passava clandestinamente nas madrugadas da Rádio Comercial. Como prémio, convidaram-me a assistir, numa garagem em Carcavelos, à construção das canções que iriam aparecer no ‘Circo de Feras’. Como fã corri Portugal de uma ponta à outra, na carrinha onde tinha direito a ouvir autênticas radionovelas inventadas pelo Gui e companhia. Resultado: chumbei pela primeira vez no 3.º ano do Técnico, mas ganhei um curso superior em Relações Humanas (os Xutos são os melhores gajos do Mundo!) e aprendi os primeiros passos nas produções de concertos ao vivo. Fiz dezenas de espectáculos com eles. A facilidade no trato e a simplicidade e verdade que colocam dentro e fora do palco fazem deles artistas únicos no panorama musical.

 

 

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