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Correio da Manhã

Cultura
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Diogo Infante estreia "Preocupo-me, logo existo"

O actor Diogo Infante estreia, no próximo dia 13, na sala Montepio do Cinema S. Jorge, em Lisboa, a peça "Preocupo-me, logo existo", de Eric Bogosian
3 de Julho de 2012 às 09:51
Diogo Infante estreia 'Penso, logo existo' no cinema de São Jorge, dia 13
Diogo Infante estreia 'Penso, logo existo' no cinema de São Jorge, dia 13 FOTO: João Miguel Rodrigues/ CM

Diogo Infante interpretou também deste autor norte-americano, "Sexo Drogas e Rock & Roll", em 2000, no Teatro A Comuna, em Lisboa, sob a direcção de Natália Luiza, que volta agora a dirigi-lo.

"Nesta peça, o actor metamorfoseia-se em oito personagens distintas, que podemos encontrar actualmente em muitas cidades ocidentais. A apatia generalizada, a ausência e/ou a contradição dos discursos, a ganância, a violência, o sexo, as drogas, a religião, a banalidade do quotidiano, e a procura de sentidos para a vida, são temas visados pelas suas personagens", explicou fonte da produção.

A peça foi já apresentada em Macau, onde encerrou no dia 25 de Junho passado a quinzena da cultura portuguesa naquele território. Na ocasião, em declarações à agência Lusa, o ex-director do Teatro Nacional D.ª Maria II afirmou que esta peça "é um grito de revolta do Eric Bogosian".

"É um autor que eu conheço bem e com o qual me identifico porque tem uma forma de colocar em palavras e no texto muitas das nossas inquietações e ansiedades", acrescentou Diogo Infante.

Bogosian transporta para o texto, de "forma muito corrosiva, muito humorística", aquilo que é o pensamento de parte da sociedade e, na fase em que se encontra da vida era algo apetecível fazer para que "pudesse também gritar ao mundo" e ter personagens que lhe permitissem "devolver um bocadinho da ansiedade" que os portugueses estão a viver, "destas preocupações generalizadas", disse o actor.

"A preocupação é uma medida da nossa existência e a grande questão é quanto é que nos preocupamos, quanto é que estamos realmente preocupados?", questionou o actor.

"Acho que estamos a atravessar uma fase muito interessante, é um momento histórico de transição, de mudança para alguma coisa que tem necessariamente de ser diferente porque se percebeu que os modelos de alguma forma estão esgotados", salientou, ao destacar, também, a actualidade do texto, dos pensamentos e intervenção social, que também se faz através da representação.

Diogo Infante especificou que "Bogosian escreve através de várias personagens que são basicamente desenhadas a traço grosso e, portanto, existem em todas as sociedades modernas".

Do taxista, ao médico, são personagens que se podem identificar com alguma facilidade, diz o ator, e, através delas, "discursos (...) que são, às vezes, ridículos ou absurdos, de tão extremados, expressam, infelizmente, muitas vezes opiniões generalizadas, perigosas, assustadoras e que causam desconforto".

"Preocupo-me, logo existo" tem música original João Gil, espaço cénico e figurinos de Maria João Castelo e desenho de luz de João Cáceres Alves.

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