Professor combatia doença oncológica há 20 anos.
João Luís Oliva, o editor, professor e pensador, que "escreveu a arte", morreu esta quinta-feira aos 68 anos, deixando-a agora mais pobre, disse à agência Lusa um dos diretores da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT).
João Luís Oliva nasceu em 1956, em Viseu, e morreu na última noite vítima de doença oncológica, que "combatia há 20 anos, mas que desde julho o deixou mais abatido", adiantou o codiretor da ACERT José Rui Martins.
"Era um plantador de afetos e de um nível de inteligência e de pensamento livre muito dilatado. Além do seu currículo do ponto de vista artístico, João Luís Oliva escreveu a arte", realçou o encenador e gestor cultural.
A ligação de João Luís Oliva à ACERT era "umbilical" e "foi quem melhor escreveu a ACERT", mas "também se poderia chamar de uma enciclopédia daquilo que é o movimento cultural do interior e, de forma particular, no território de Viseu".
"Ele teve uma vida cheia de aventuras artísticas. Ele pensava a cultura, as artes e o mundo e tinha uma perceção e um olhar sobre as coisas que era muito peculiar, com uma simplicidade tão natural que parecia que estava sempre a aprender e deixa marcas em várias gerações e vai perdurar", disse ainda à agência Lusa José Rui Martins.
Autor de vários livros, entre eles ACERT XL, que assinalou os 40 anos desta instituição de Tondela, no distrito de Viseu, mas também outras obras ligadas ao pensamento e artes, assim como à investigação na Universidade de Coimbra.
Em 2014, João Luís Oliva escreveu uma autobiografia intitulada "editor, professor (mas sempre aluno), andarilho".
Nela refere que fez parte do núcleo constituinte do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, onde foi docente até 2005, na área de História e Cultura Portuguesa Contemporânea, no Gabinete de Relações Internacionais da Faculdade de Letras.
O documento por ele escrito enumera ainda as várias obras, investigações e artigos publicados em diversas publicações e ainda os projetos nas áreas musicais, nomeadamente com Zeca Afonso e Júlio Pereira.
"Ele usava uma expressão que era 'é a vida' e João Luís Oliva é um hino à vida. Foi sempre um hino à vida e um combatente até ao último minuto", destacou José Rui Martins.
O presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, lamentou a morte de "um homem que se dedicou à cultura local e a uma organização que é respeitada por toda a gente, a ACERT, e é de lamentar".
Fernando Ruas adiantou que, na próxima reunião do executivo municipal, será apresentado um voto de pesar.
Também os vereadores do PS na Câmara de Viseu, numa nota enviada à agência Lusa, lamentaram a partida do "homem da inquietude e do pensamento" que "dizia sempre a todos que era o 'sempre aluno' e a melhor homenagem a prestar é continuar a sua obra, senti-la e divulgá-la".
"João Luís Oliva deixou uma marca indelével no estudo da História das Ideias em Portugal, com um trabalho académico e cultural que contribuiu para o entendimento das relações entre o pensamento, a cultura e a política no contexto português", afirma o PS.
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