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Correio da Manhã

Cultura
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Dois temas para reflexão

Há demasiados grupos de forcados amadores em Portugal. Digo eu e assim pensam muitos...
30 de Maio de 2007 às 00:00
Os grupos de forcados amadores são uma realidade histórica no contexto da tauromaquia portuguesa e com expressão internacional, considerando a imagem que os estrangeiros levam de cá em fotografias e vídeos, para lá das suas próprias memórias visuais, que os levam a falar aos seus conterrâneos daquilo que viram em Portugal. Isto sem esquecer que nos EUA (Califórnia) e no México já existem forcados amadores, que ali foram resultado de portugueses que transmitiram essa nossa tradição.
Do que atrás se refere, justifica-se uma reflexão que me parece urgente. Tal como se diz dos fadistas (...), não é forcado quem quer.... Considerando-se, embora, que o factor “quer” pode ser legítimo e fundamental para qualquer actividade que se queira exercer, isso pode não chegar para o exercício condigno dessa mesma actividade, sobretudo se ela tiver expressão pública e mediática. E é aqui que importa focar especial atenção.
Há demasiados grupos de forcados amadores em Portugal. Digo eu e assim pensam muitos. Num espectáculo profissionalizado onde cada vez mais se tem de exigir qualidade, só podem caber os amadores cujo desempenho esteja realmente ao nível da corrida de toiros. Os grupos não podem nascer à mesa de um café ou na sala de uma tertúlia e logo serem incluídos em cartéis só porque as mesmas têm lugar nas respectivas terras que os viram nascer. É urgente classificá-los, tal como se faz em relação aos profissionais da Festa de toiros.
A tal imagem de prestígio e capacidade tem de ser salvaguardada. Há grupos que não reúnem condições para exibir-se com a qualidade mínima exigível. Depois sucedem-se as lesões e a indisciplina, preço demasiado alto para quem queira defender a dignidade da corrida. Compreende-se o querer e o esforço, mas o sentimento de afición pede outro tipo de valores além desses. E isso, normalmente, leva tempo. Pegar um toiro não é andar à zaragata e à traulitada com ele...
Entretanto, mudando de assunto, vem aí Santarém, a capital do Ribatejo, que a partir do próximo domingo recebe corridas de toiros e outros espectáculos, divididos entre a histórica Praça Celestino Graça e a portátil, instalada no cinema. Muito se tem falado da polémica em redor das organizações paralelas, mas temos de reconhecer, com alegria, a recuperação da grande monumental, a partir dos esforços conjuntos da autarquia e Misericórdia, proprietária do imóvel. O futuro e a reflexão distribuirão razões...
EUA
Ana Batista e Sónia Matias triunfaram no fim-de-semana em Stevenson (EUA, Califórnia), tendo ambas saído em ombros no final da corrida, no meio do entusiasmo dos aficionados que enchiam a bonita praça local.
A RECUPERAR
João Telles Filho está a recuperar da grave queda sofrida em Talavera de la Reina (Espanha) no dia 12. Mesmo lesionado na cabeça e no joelho direito, ainda levou a lide até ao fim, mas temeu-se o pior.
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