Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
2

Don Giovanni segundo José Saramago

Chega às livrarias no dia 24 o libreto de Saramago para a ópera de Corghi que devia ter estreado no Scala de Milão no dia 10, não fossem valores mais altos levantar-se: obras no teatro.
19 de Março de 2005 às 00:00
‘Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido’ é um livro entre romances que não traz o escritor a Portugal. Antes dele e depois dele, temos ‘Ensaio Sobre a Lucidez’ e ‘As Intermitências da Morte’. Anunciado por ocasião do último lançamento, o próximo tem já pompa e circunstância reservadas para Novembro, soubemos junto da editora portuguesa do escritor, a Caminho.
Sobre este súbito livro de Saramago, diga-se que resulta da insistência de um compositor e da paixão por uma ópera, respectivamente, Don Giovanni e Azio Corghi.
E na origem do reencontro desta dupla que ‘Blimunda’ juntou, houve acto de fraqueza confesso em nota prefácio, onde se lê do estado de graça que traz o escritor suspenso daquela que é a ópera da sua vida.
“Era certo que sempre havia pensado que Don Giovanni não podia ser tão mau como o andavam a pintar desde Tirso de Molina, nem Dona Ana e Dona Elvira tão inocentes criaturas, sem falar do Comendador, puro retrato de uma honra social ofendida, nem de um Don Octávio que mal consegue disfarçar a cobardia sob as maviosas tiradas que o texto de Lorenzo da Ponte vai debitando”, escreve.
Se bem pensou, melhor o fez e, com esta galeria de personagens em mente, passou ao papel o Don Giovanni segundo Saramago que em nada fica a dever aos de Tirso de Molina, Cicognini, Giliberto, Dorimon, Villiers, Molière, Rosimond, Shadwell, Zamora, Goldoni, Lorenzo da Ponte, Byron, Espronceda, Hoffmann, Zorilla, Pushkine, Dumas, Mérimée... e Saramago.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)