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Correio da Manhã

Cultura
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Duas obras de Bolaño chegam às livrarias portuguesas

Um livro com as últimas entrevistas do escritor chileno Roberto Bolaño e o romance ‘Os Dissabores do Verdadeiro Polícia’, a que ele se referia como "o meu romance", chegam esta sexta-feira às livrarias portuguesas.
11 de Março de 2011 às 15:28
'Os Dissabores do Verdadeiro Polícia' o núcleo do universo literário do escritor chileno
'Os Dissabores do Verdadeiro Polícia' o núcleo do universo literário do escritor chileno FOTO: DR

Depois de ‘2666’, ‘O Terceiro Reich’ e ‘A Literatura Nazi nas Américas’, a Quetzal lança, menos de dois meses após a primeira edição em Espanha, ‘Os Dissabores do Verdadeiro Polícia’, um romance protagonizado por um professor universitário de meia idade que se muda para o México. A tradução é de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, como as anteriores obras do autor.  
 
Numa carta datada de 1995, Bolaño referia-se-lhe assim: "Há anos que trabalho num romance que se intitula 'Os Dissabores do Verdadeiro Polícia' e que é O MEU ROMANCE. O protagonista é um viúvo, cinquenta anos, professor universitário, filha de dezassete, que vai viver para Santa Teresa, cidade próxima da fronteira com os Estados Unidos. Oitocentas, mil páginas, um enredo demencial (...)".  

Segundo Carolina Lopéz, viúva de Roberto Bolaño (1953-2003), falecido prematuramente de doença hepática, é neste romance até há pouco inédito e incompleto que se encontram as origens ou o núcleo do universo literário do escritor chileno.  

Trazido a público pelo agente Andrew Wylie na Feira do Livro de Frankfurt, o romance é apresentado por Carolina Lopéz como um projecto em que o autor trabalhou durante 13 anos que "dá aos leitores a ideia da sua singular espontaneidade e de como desfrutava da liberdade quando escrevia".  

Publicado na colecção ‘Textos Breves’, o livro ‘Roberto Bolaño: Últimas Entrevistas’ revela um homem que manteve sempre intacto o sentido de humor cortante, aliado a uma grande inteligência e a uma profunda erudição, e o gosto pela polémica e pela provocação.  

Neste volume é incluída a última entrevista concedida pelo escritor, a Mónica Maristain, para a edição mexicana da ‘Playboy’, em Julho de 2003. 

Aí, colocado perante a questão "Não acha que se se tivesse embebedado com Isabel Allende e Ángeles Mastretta teria outra opinião acerca dos seus livros?", o escritor respondeu: "Não creio. Primeiro, porque essas senhoras evitam beber com alguém como eu. Segundo, porque já não bebo. Terceiro, porque nem nas minhas piores bebedeiras perdi uma certa lucidez mínima, um sentido da prosódia e do ritmo, uma certa rejeição perante o plágio, a mediocridade ou o silêncio".
 
Poeta e romancista, Roberto Bolaño nasceu em Santiago do Chile em 1953 e mudou-se, aos 15 anos, para a Cidade do México. Trotskista, envolveu-se  activamente na política e abandonou o liceu, rumando para El Salvador. De regresso ao México, em 1974, fez ressurgir o movimento literário ‘Infrarrealismo’, reunindo um grupo de poetas mexicanos e chilenos para tentar combater a chamada "cultura oficial".  

Durante os anos 70, viajou pela Europa e acabou por instalar-se em Barcelona, com a mulher e dois filhos. Nos últimos anos de vida, já doente, dedicou-se febrilmente à escrita, para deixar um legado literário que impedisse a sua família de ficar numa situação precária.  

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